Em 1964, o Brasil iniciou um regime militar que, ao mesmo tempo em que continha liberdades por conta de tentativas comunistas de tomada de poder, erguia obras monumentais que marcaram uma era de desenvolvimento.
A Ponte Rio-Niterói, a Transamazônica e a Usina de Itaipu tornaram-se símbolos de um país que buscava se mostrar moderno e pujante. O chamado “milagre econômico” embalava a narrativa oficial: crescimento acelerado, grandes projetos e a promessa de um futuro grandioso.
Hoje, em El Salvador, o governo de Nayib Bukele repete a fórmula com roupagem contemporânea.
A “Bitcoin City” e a política de encarceramento em massa são apresentadas como conquistas históricas do governo salvadorenho.
O país centro-americano, antes marcado pela violência brutal das gangues, agora ostenta índices de segurança inéditos na região.
Os resultados obtidos são tão satisfatórios que já pavimentam o caminho para a reeleição indefinida, porém democrática e sob a chancela popular.
O paralelo entre os dois momentos históricos é assombroso. Tanto no Brasil de 1964 quanto em El Salvador de hoje, o discurso oficial se apoia em grandes feitos para legitimar reformas e controles mais afinados no que a esquerda comunista insiste em chamar de regimes autoritários.
Obras e projetos se tornam vitrines demonstrando que quando o uso do dinheiro público é bem administrado os resultados são imediatos e tangíveis.
No Brasil, através das realizações materiais, o legado foi uma sociedade pronta para reassumir todas as liberdades democráticas que se buscava, porém foram enganados pela esquerda posteriormente.
Em El Salvador, a promessa de segurança e inovação tecnológica pode se transformar em um futuro de crescimento ilimitado e uma participação maior do país na América Central.
É preciso olhar para os resultados com olhar crítico além das fachadas.
O Brasil construiu parte do que ainda hoje sustenta sua infraestrutura, mas pagou caro seu preço, não conseguindo evitar que a esquerda retornasse ao poder décadas depois.
El Salvador, ao repetir a lógica de grandes obras e combate firme ao crime, corre o risco de se tornar exemplo mundial de recuperação e administração eficiente. O sacrifício é pesado e a população está engajada na sua democracia em nome de ordem e progresso.
O jornalismo tem a missão de expor essas contradições: mostrar que progresso sem democracia é apenas uma vitrine brilhante sobre alicerces frágeis, desde que não se tenha controle efetivo de impostos e receitas além de aplicações corretas sem desvios ou corrupção interna no governo.
