Brasil corre risco de virar palco de tensão militar entre EUA e Rússia

É preocupante observar como grande parte do jornalismo brasileiro tem tratado os conflitos internacionais de forma superficial. O embate entre Estados Unidos e países como Venezuela e Cuba costuma ser reduzido a uma disputa pelo petróleo. Embora o interesse energético seja inegável, essa é apenas a face mais visível de uma disputa muito mais complexa: uma guerra de influência entre grandes potências nucleares.

Nos bastidores, os Estados Unidos têm se posicionado contra a presença de China, Irã e Rússia na América Latina. A China, principal financiadora da expansão russo‑chinesa na região, desempenha papel estratégico semelhante ao que a Rússia exerceu na Ucrânia ao se opor à expansão da OTAN. Da mesma forma, Washington não aceita a possibilidade de bases militares russas em países como Venezuela, Cuba ou mesmo Brasil.

Esse cenário internacional se entrelaça com as tensões políticas internas brasileiras. A polarização ideológica pode definir o alinhamento do país: setores da direita cristã tendem a aproximar‑se de Estados Unidos e Israel, enquanto a esquerda se inclina para Rússia, China, Irã e Palestina. Tal divisão abre espaço para que o Brasil se torne palco de disputas geopolíticas de proporções inéditas.

A oposição à agenda marxista no Brasil tem sido conduzida, em grande medida, por setores cristãos, especialmente entre os evangélicos.

O risco não é apenas diplomático.

Caso o confronto entre Estados Unidos e Rússia se materialize em território brasileiro, as consequências seriam devastadoras: colapso econômico, agravado pela corrupção endêmica que permeia instituições públicas e privadas, inclusive religiosas.

A condução da mídia tradicional, ao tratar o cenário como mera disputa eleitoral, contribui para manter a população em uma perigosa zona de conforto.

No plano global, a Europa cristã perdeu protagonismo, enquanto o islamismo se consolidou como força religiosa e econômica de peso, influenciando agendas políticas.

Nesse contexto, resta observar se Brasil, Estados Unidos e Israel encontrarão pontos de convergência estratégica. Por ora, esse alinhamento ainda parece distante.

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