Brasil dividido: quando um será preso e o outro solto?

No Brasil de 2026, os dias e as noites se alternam com uma só questão fervilhando na cabeça de milhões de brasileiros que dela não se esquecem por um minuto sequer – ainda que isso não transpareça de maneira mais evidente. Trata-se de uma questão envolvendo duas figuras públicas de grande relevância, para o Bem e para o Mal, sem a qual a República não poderá continuar sem risco de não ser mais uma República nem lugar seguro para criar filhos, certos de que o que prevalecerá é a alternativa de que quem tem juízo deverá obedecer ao juiz sem juízo, aquele que paira incólume sobre todos os demais, ainda que sobre ele existam acusações que transbordam, em verdadeira enxurrada de fatos, água caudalosa de provas difíceis de se enxugar.

Assim como os dias e as noites se alternam, duas perguntas a respeito das duas figuras pairam na atmosfera de um país cindido, destroçado em sua essência, ancorado em escombros que se deseja recuperar.

Quando um será preso? Quando o outro será solto?

Sem que esses dois acontecimentos se realizem, o país segue em compasso de espera, com breque de mão puxado, tensionado, coração na mão, e desculpa alguma, venha de onde vier, poderá destravar essa paralisia, sob pena de tensões ainda maiores.

Em 2019 éramos crianças de jardim de infância. Em 2026 somos adultos pós-graduados e mestres. O que não sabíamos, ou apenas pressentíamos, hoje sabemos com certeza irredutível.

A grande trama que se desenvolveu no país durante os últimos sete anos – e aqui não entrarei nos detalhes por demais conhecidos por todos nós – agora encontra o seu desenlace.

Os papéis se invertem, dia após dia, na medida em que aquilo que permaneceu nos subterrâneos ascendeu à luz do dia, mostrando e comprovando que nem tudo que reluziu como ouro assim o era.

Uma decepção imensa ver o grande defensor da democracia reduzido a pó, envolvido em tenebrosas transações, em que relutam em acreditar, em negação maníaca. A verdade dói, eu sei.

Em qualquer país minimamente civilizado, tal ser deveria solicitar seu afastamento imediato da função que ocupa até que todas as dúvidas que pairam a respeito das acusações que lhe são imputadas sejam dirimidas.

Como é que o brasileiro pode aceitar qualquer determinação, fala ou julgamento que venha de alguém que já não possui – enquanto assim não o provar – as qualidades éticas necessárias para continuar em seu posto de guardião da Lei Maior do país?

Esse senhor, posando de grande homem que não é, através de narrativas articuladas e construídas através de coação – vejam novamente a fala do delator Mauro Cid, o frágil militar que preferiu o papel da covardia, do choro do fraco, do entregar dos seus, sendo somente sua fala a “prova” mais robusta que o juiz conseguiu para incriminar e prender homens honrados e inocentes – e apoio de gente que a ele se equivale, colocou na cadeia um presidente da República sobre o qual nada se provou, ainda que perseguido e acusado de todas as indecências possíveis – todas arquivadas – assim como restará provado que golpe algum foi tentado no país, por ausência de forças armadas e armamento necessário para que isso pudesse ser levado a efeito, como acontece em todos os golpes de Estado que se tem notícia desde que o mundo é mundo.

Mas, enquanto um, reverenciado como o grande defensor da Democracia, prendia e perseguia inocentes, de maneira cruel e implacável, nos subterrâneos da vida realizava contratos milionários e envolvia-se até o talo com banqueiro que quebrou o Sistema Financeiro em mais de 40 bilhões de reais, fumando charutos refinados e bebendo whiskis de preços estratosféricos em rodas onde decidiam como dilapidar melhor a República, em viagens ao exterior pagas por tal banqueiro, em reuniões nada republicanas nas profundezas das noites com os donos do país, à vontade, muito à vontade depois de exterminarem todos aqueles que lhe fizeram frente e que estragariam seus planos de poder, deixando de ser um simples magistrado para escolher a figura oposta do mafioso sedento por poder.

O outro, o que tentaram tirar a vida já na campanha presidencial de 2018, sobreviveu, venceu as eleições, e a duras penas tentou governar o país sob o ataque implacável das instituições e da mídia oficial, a grande responsável por todo esse inferno em que estamos mergulhados.

Preso e doente, jaz hoje numa cela, condenado por crimes que não cometeu, onde tem a sua condição de saúde arrasada a cada novo dia, a cada novo sintoma, a cada nova queda, a cada nova internação e em algum momento veremos a notícia da sua morte, se não agora, em futuro próximo, já que imerso em stress máximo imposto por um Sistema que só sossega quando o matar de vez.

A turba apoiadora do defensor da democracia bagaceira brasileira, urra a uma só voz: Que morra o carniceiro da pandemia que matou 700 mil brasileiros!

Esses seres de QI comprometidos, aptos em grau máximo à manipulação dos seus poucos neurônios disponíveis, acreditam piamente em vídeo editado com imagem errônea em que o prisioneiro está dizendo exatamente o oposto da acusação implacável que lhe imputam.

A mídia, essa que apoiou desde o início o grande defensor da democracia, poderia sanar essa injúria, essa calúnia, em alguns poucos dias, se assim o desejasse, mostrando ao público que odeia o hoje prisioneiro político que foram enganados, que sua imensa ignorância impediu que obtivessem a verdade dos fatos, mas não, nem a Imprensa desfaz a farsa, muito menos os ignorantes se dispõem a reparar o seu equívoco a respeito do que realmente aconteceu.

Preferem urrar seu engano patético e destrutivo.

Os dias passam, e aqui estamos e assim ficamos: De um lado um pretenso defensor da Democracia que mostrou ser um defensor do seu bolso e das vantagens de gente por quem não daria um vintém.

Não deveria estar no posto que ocupa, mas lá ainda está, negando-se a dar explicações sobre seu comportamento e o contrato milionário com um banqueiro picareta que o impede de continuar julgando o que quer que seja, sob silêncio obsequioso daqueles que deveriam estar exigindo sua saída imediata da corte.

De outro lado um presidente sobre o qual não se encontra uma única acusação de corrupção, mas que foi enfiado pelo Sistema em uma cela para morrer e deixar o caminho aberto para a matilha devoradora de valores que eles não pretendem respeitar.

Muitos, eu sei, estão cansados de esperar, desanimados por algum acontecimento que desnude de vez toda essa trama mafiosa que se abateu sobre nós nesses últimos pavorosos sete anos. Eu os compreendo.

Mas digo: A Verdade tarda, mas não falha.

Os vermes terão a sua paga, ainda que pareçam inalcançáveis, lá nos píncaros do poder em que se encontram.

Eu já escuto seus sinais.

Silvia Gabas

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