A vida biológica é gratuita; o sentido, não. O ser humano é o único que sofre pela falta de sentido e, talvez por isso, trocou a vivência plena pela mera sobrevivência. Vivemos em um mundo polarizado, injusto e institucionalmente falho, enquanto a possibilidade de viver com propósito e pertencimento parece cada vez mais distante.
O instinto gregário não é ideológico, é biológico. Ainda assim, a globalização prometeu liberdade e entregou isolamento. A felicidade individual depende do sentido de pertencimento coletivo, hoje fragmentado e desacreditado.
Grandes revoluções não nascem de planilhas nem de modelos racionais perfeitos. Elas surgem quando a razão institucional falha e a justiça não se realiza. Nesse vazio, a intuição coletiva substitui o cálculo. Trata‑se de uma força ingênua, desprezada pelos intelectuais, mas historicamente decisiva.
Dessa descrença emergem os “Manés” e os “Forrest Gump” da vida real: figuras improváveis, ridicularizadas por não dominarem a linguagem dominante, mas impulsionadas por fé moral e vontade de justiça. Não falta inteligência ao mundo contemporâneo; falta a crença de que vale a pena lutar.
Dentro desse cenário, um jovem deputado inicia uma caminhada solitária em busca de liberdade e sentido. Rotulado de mané, ele transforma o isolamento em adesão. O gesto individual ganha corpo coletivo e evidencia o erro recorrente das elites: subestimar a força que nasce fora da sofisticação.
Diante disso, impõe‑se a pergunta inevitável: vencerão os ímpios, corruptos e tiranos? Ou estaremos prestes a assistir à revolução dos manés, à semelhança da caminhada de Forrest Gump, que começa solitária, é ridicularizada e, gradualmente, passa a reunir milhares?
Como será o amanhã — o dia 25 de janeiro, em pleno ano eleitoral?
Seremos resilientes o bastante para abandonar o modo sobrevivência e voltar a viver?
Seguiremos adiante rumo ao propósito final: liberdade e justiça para todos.
