O Brasil atravessa um momento em que a política nacional parece ter se transformado em um espetáculo grotesco.
Casos de corrupção e desvios de dinheiro público surgem em série, como se fossem episódios de uma novela interminável.
O que deveria ser exceção tornou‑se rotina, e a indignação da sociedade já não encontra eco nas instituições.
Mais grave ainda é constatar que aqueles que deveriam ser os guardiões da Constituição se envolvem em negócios privados de alto risco, como resorts com jogos e entretenimento.
A contradição é gritante: quem deveria zelar pela legalidade e pela moralidade pública se mostra cúmplice de práticas que corroem a confiança da população.
O famigerado orçamento secreto é outro capítulo dessa tragédia. Verbas bilionárias são distribuídas como moeda de troca para garantir a subserviência do Congresso. O resultado é um parlamento enfraquecido, incapaz de exercer sua função fiscalizadora, e cada vez mais dependente das benesses do Executivo.
Como se não bastasse, assistimos horrorizados ao uso de recursos públicos em festas populares, como o carnaval, transformadas em palcos de propaganda eleitoral.
Escolas de samba recebem verbas milionárias para exaltar a figura do presidente, em clara violação ao princípio da impessoalidade e da igualdade de oportunidades.
A festa, que deveria ser expressão cultural autêntica, é instrumentalizada como ferramenta de manipulação política.
O que está em jogo:
– A democracia: quando o Congresso se torna refém de verbas secretas, perde‑se a independência entre os poderes.
– A moralidade pública: autoridades envolvidas em negócios privados minam a credibilidade das instituições.
– A cultura popular: transformada em propaganda, deixa de ser manifestação livre e passa a ser instrumento de poder.
O Brasil não pode aceitar que a corrupção, o clientelismo e a propaganda disfarçada de cultura se tornem pilares da política nacional.
É preciso denunciar, expor e resistir.
A democracia só se fortalece quando a sociedade exige transparência e responsabilidade.
