Campanhas que só atacam estão condenadas ao fracasso

Este ano o Brasil terá eleições. Ainda que de forma velada, as campanhas eleitorais já começaram. Por isso, é necessário alertar os mais desavisados: se quiserem êxito, precisarão mudar o modo de fazer campanha. O modelo baseado na desmoralização, invalidação ou desconstrução do adversário está — ou deveria estar — com os dias contados.

Estratégias apoiadas em estratagemas, slogans vazios e na construção artificial de narrativas são, no limite, imorais. Chegam a configurar um verdadeiro estelionato eleitoral, pois o candidato desperdiça seu tempo de campanha falando do opositor, em vez de apresentar projetos, soluções e compromissos concretos. Não se discute o país que se quer construir; discute‑se o inimigo que se quer derrotar.

Campanhas do tipo “Ele Não” ilustram bem esse mecanismo. Do ponto de vista cognitivo, produzem o mesmo efeito do conhecido experimento mental: “não imagine um balão azul”. O cérebro ignora a negação e imediatamente imagina o balão azul. Ao tentar negar o outro, acaba‑se reforçando sua presença no imaginário coletivo. A mensagem não esclarece, não informa e tampouco eleva o debate público.

Outro ponto frequentemente ignorado é a convicção do eleitor. A maioria das pessoas que vota em um ou outro candidato já chega às eleições com posição formada. Ataques e campanhas difamatórias raramente mudam votos. O grupo que realmente importa para a decisão final é aquele capaz de estudar os dois lados, avaliar propostas e escolher o candidato mais bem‑intencionado e com projetos viáveis. Esse eleitor não se convence pelo ódio, mas pela razão.

O eleitor brasileiro não é mais leigo. Metade da população acordou e vota por convicção; a outra metade ainda dorme e vota por alienação. Cabe ao político verdadeiramente bem‑intencionado mostrar aos que dormem que o filme é de terror, que é preciso sair do estado sonambúlico e perceber que, ao não discernir, tornam‑se cúmplices do que está por vir. A omissão também escolhe um lado da história.

A farsa da desconstrução do adversário, sustentada por narrativas falsas — muitas vezes já denunciadas — e até pelo uso de inteligência artificial para demonizar o oponente, apenas revela o quanto o poder pode ser comprado. O povo hipnotizado não percebe que esses políticos nada oferecem além de migalhas, suficientes apenas para manter uma militância fiel e dependente.

Em contraponto, há espaço para o candidato que apresente projetos com reais chances de execução, que contemplem a todos sem aprisionamento ideológico, que devolvam dignidade às pessoas e rompam com a polarização estéril. A polarização, alimentada pelo ódio, pela divisão e pela vingança, desumaniza o homem e empobrece a sociedade.

O Brasil precisa de políticos aptos para o cargo a que se propõem. Precisa, antes de tudo, de honestidade, competência e prudência. Prudência, inclusive, para proteger os próprios olhos — pois, em um grupo onde muitos são cegos, quem enxerga corre sempre o risco de ter os olhos furados.

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