O prefeito do Recife, João Campos, e a deputada Tabata Amaral se casaram neste sábado (21) numa cerimônia realizada na Praia de Carneiros. Entre os presentes estavam o presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhado de sua esposa, Viviane Barci.
A presença de Moraes na cerimônia gerou questionamentos públicos. O advogado Enio Viterbo foi direto:
“Tirando o fato disso explicar como a gente não encontra a menor crítica da Tabata Amaral ao xerife da democracia, eu só gostaria de saber uma coisa sobre a presença do paladino da justiça nesse evento: Nós pagamos a ida do ministro com um jatinho da FAB ou dessa vez ele teve a coragem de pagar um voo comercial como qualquer outro cidadão brasileiro?”
O jornalista Cláudio Dantas também se pronunciou sobre o casamento e a cerimônia. Confira a íntegra do seu texto:
“Tábata Amaral disse numa entrevista à CNN em 2021 que o ‘machismo é estrutural e suprapartidário’ e que ‘se manifesta ao longo de todo espectro ideológico’. Feminista declarada, a deputada casou-se de branco, neste sábado, com João Campos, prefeito de Recife e representante de uma dinastia multimilionária que controla a política pernambucana há seis décadas. Um casal heteronormativo, de pele alva e integrante do seleto grupo dos 0,001% mais ricos do país.
Coisa de fascista, diria a esquerda. Coisa de lata de conserva, diria a rebaixada Acadêmicos de Niterói. O casamento, na Praia de Carneiros, reuniu pouquíssimos convidados, entre eles o casal mais poderoso e polêmico da República, Alexandre de Moraes e Viviane Barci. Geraldo Alckmin também apareceu por lá, representando Lula, que está na Ásia com Janja, gastando mais alguns bilhões no cartão corporativo.
Desejo que Tábata e João sejam felizes… e menos hipócritas.
Que tenham muitos filhos, frequentem a igreja todos os domingos e professem valores conservadores, como a defesa da família, da vida e do direito de portar armas para conservar suas propriedades — já que a situação não anda nada boa, especialmente no Nordeste, com o crescimento da miséria, do tráfico de drogas e do domínio das facções.
Enfim, que se assumam integrantes da aristocracia e parem de colher seus votos junto ao eleitorado mais pobre e ignorante, especialmente com promessas de uma revolução socialista que repartirá a riqueza das elites com o povo. Que o casamento de Tábata e João sirva para retirar da esquerda o véu da mentira, de uma agenda globalista que só alimenta o ódio e não mata a fome.
No primeiro escalão do governo Lula, só há famílias tradicionais, ministras e ministros brancos, héteros, cheios de filhos e de propriedades valiosas muito bem guardadas por seguranças fortemente armados. Entre os governadores de esquerda, com exceção de Fátima Bezerra, o esquema da ‘família de conserva’ se repete, com destaque para o patrimonialismo e o nepotismo.
Não basta conservar a família, é preciso conservar o poder loteando tribunais de contas, por exemplo.
Nos últimos anos, Rui Costa, Camilo Santana, Renan Calheiros Filho, Wellington Dias, Waldez Góes e Helder Barbalho nomearam suas próprias esposas para os TCEs. Até a avó de João Campos conseguiu uma boquinha no Tribunal de Contas da União, onde se aposentou em 2022 aos 75 anos. E nem vou entrar no mérito de como se conserva o poder beneficiando empreiteiras aliadas ou ajudando filhos de magistrados amigos.
Só esperava que um casamento de um casal tão povão fosse um pouquinho mais democrático, sabe, com a presença de povo de verdade.”
