A ideia do presidente Lula era transformar a Sapucaí no primeiro grande comício — com bateria e mestre-sala — de sua pré-campanha à reeleição. A Acadêmicos de Niterói, porém, fez o favor de transformar a estratégia marqueteira em um verdadeiro desastre alegórico. A escola não apenas despencou para o rebaixamento, como puxou o presidente pela mão direto para a passarela do Tribunal Superior Eleitoral.
A tática de misturar samba no pé com santinho na mão rendeu a pior Quarta-feira de Cinzas da história recente do partido. O que deveria ser a apoteose da popularidade petista virou um carro alegórico desgovernado que atropelou a Lei Eleitoral. Com o episódio, a oposição já se articula em torno de pedidos de cassação e celebra o desgaste político do governo.
O “kit ressaca” do presidente, que será entregue assim que o registro oficial das candidaturas for feito, vem recheado de consequências jurídicas:
Troféu “Propaganda Antecipada”: Multas generosas para lembrar que não existe camarote grátis na Justiça Eleitoral.
Quesito “Evolução Processual”: Pedidos de cassação de um novo mandato saindo do forno antes mesmo de a eleição esquentar de verdade.
Fantasia de Inelegível: A grande aposta da oposição, que pode garantir ao presidente o direito de assistir ao próximo pleito eleitoral do sofá do Alvorada.
No quesito “Harmonia com o Código Eleitoral”, a nota foi um retumbante três e meio. Parece que os carnavalescos esqueceram de avisar que o juiz eleitoral não se deixa levar pelo refrão chiclete.
Mário Robert — Analista Político
