O “braziu” do governo atual chama atenção. Em um país onde um delegado que cumpre seu dever se emociona ao se deparar com um sociopata reincidente que tortura uma adolescente de 16 anos, agride e deixa outro menino em coma, e ainda há outros processos em andamento, a justiça parece fechar os olhos.
É ainda mais revoltante constatar que uma juíza, ao que tudo indica, agiu de forma irresponsável ao liberar esse indivíduo mediante pagamento de fiança. A magistrada Ana Claudia Loiola considerou que a conduta do agressor “não evidencia periculosidade exacerbada” e, assim, concedeu a soltura.
Os fatos são alarmantes. Na madrugada de 22 de janeiro, Pedro Arthur Turra, de 19 anos, espancou um adolescente de 16 anos após uma discussão por um chiclete. A vítima sofreu parada cardíaca por 12 minutos, precisou que a calota craniana fosse removida e permanece em coma na Unidade de Terapia Intensiva.
Pedro foi preso em flagrante, mas, no dia seguinte, pagou R$ 24,3 mil de fiança e foi liberado.
Enquanto isso, o delegado Pablo Aguiar conduzia as investigações. Ele descobriu que existem quatro inquéritos policiais contra o mesmo agressor. Em junho de 2024, Pedro forçou uma adolescente a beber vodka e, em seguida, a torturou com um taser, descarregando o aparelho completamente enquanto ria. No mesmo mês, ele espancou um jovem em uma praça. Em julho, agrediu um homem de 49 anos.
Na sexta‑feira, 30 de janeiro, durante coletiva de imprensa, o delegado Pablo Aguiar chorou ao relatar o depoimento da adolescente torturada. “Sinto a dor de um pai”, disse, com a voz embargada. “Ele não tem condição de viver em sociedade.”
O delegado ressaltou a diferença entre quem analisa processos e quem vê pessoas. A juíza considerou que havia “ausência de periculosidade” nos quatro inquéritos, enquanto o delegado identificou um sociopata que tortura rindo.
Pablo Aguiar cumpriu seu papel: reuniu provas, documentou padrões, ouviu vítimas e constatou que mais de dez pessoas têm medo de denunciar Pedro. Agora, deposita esperança no Ministério Público, especialmente no GAECOP, e no Judiciário, para que “enxerguem o caso com mais seriedade”.
Um delegado não deveria precisar chorar em público para que o sistema leve a sério um torturador. Talvez suas lágrimas sirvam como o alerta que faltava: não se trata de mera burocracia, mas de vidas destroçadas.
