Escândalo do Banco Master expõe rede de corrupção que liga Planalto, STF e ministérios de Lula

O colapso do Banco Master tornou público um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Brasil. Controlado por Daniel Vorcaro, o banco acumulou fraudes estimadas entre R$ 12 bilhões e R$ 50 bilhões, o que levou à sua liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025. Preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, Vorcaro é acusado de gestão fraudulenta, desvio de recursos e associação criminosa.

A gravidade do caso aumenta pela proximidade do esquema com o núcleo do poder. Registros indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, em encontro fora da agenda oficial. A reunião foi intermediada por Guido Mantega, ex‑ministro da Fazenda, que recebia R$ 1 milhão mensal como consultor do Banco Master, totalizando ao menos R$ 16 milhões.

O senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, também aparece como articulador, ao indicar Mantega e Ricardo Lewandowski para consultorias no banco. No mesmo período, o governo de Lula aprovou mais de R$ 300 milhões em contratos do Ministério da Saúde com a Biomm – empresa ligada a Vorcaro – para fornecimento de insulina ao SUS, mesmo com o escândalo já em curso.

O Supremo Tribunal Federal também é atingido por suspeitas. Alexandre de Moraes visitou a residência de Vorcaro durante negociações entre o Banco Master e o BRB, enquanto o escritório da esposa mantinha contrato com o banco. Dias Toffoli, relator do inquérito, teria viajado em jato particular financiado por Vorcaro pouco antes de ser sorteado para o caso. As conexões levantam questionamentos sobre conflitos de interesse e abalam a credibilidade do Judiciário.

No Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski, nomeado por Lula, manteve contrato de consultoria com o Banco Master, que rendeu R$ 6,5 milhões ao escritório de sua família, parte significativa paga enquanto ele já era ministro. O contrato só foi encerrado após o veto do Banco Central à venda do banco, e sua saída antecipada do governo em janeiro de 2026 foi interpretada como tentativa de reduzir danos políticos.

Enquanto isso, o governo trata irregularidades no INSS como falhas técnicas e sistêmicas, mesmo quando envolvem o próprio Banco Master e bilhões em crédito consignado sem comprovação adequada. No caso Master, porém, há nomes, cargos e vínculos diretos entre empresários, políticos, ministros e instituições do Estado.

O escândalo expõe um padrão de proximidade entre poder político, sistema financeiro e altas cortes, o que contradiz o discurso oficial de combate ao crime organizado. Para críticos, o caso exige CPI, responsabilização política e julgamento rigoroso. Se no discurso o sistema falha, na prática o esquema opera e o Brasil paga a conta.

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