Escândalo do Banco Master já abala quatro instituições e a crise tende a piorar

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou, na quarta‑feira (14), um despacho exigindo que a Polícia Federal (PF) justifique o atraso de dois dias na execução de mandados relacionados ao escândalo do Banco Master. O pedido intensifica a crise que já envolve o Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU).

Toffoli questionou no documento por que a PF demorou dois dias para cumprir medidas que deveriam ser realizadas em 24 horas, afirmando que tal atraso “causa espécie” e pode ter comprometido a eficácia da investigação.

“O descumprimento do prazo pode resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, escreveu o ministro. Entre os alvos das medidas cautelares estava Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, figura central nas investigações do Banco Master.

O caso já havia gerado atritos entre o TCU e o Banco Central quando o Tribunal de Contas tentou auditar o processo de liquidação da instituição financeira. A iniciativa, conduzida pelo ministro Jonathan de Jesus, foi recuada após reações negativas do mercado e críticas sobre possível interferência na autonomia do BC.

O ministro Fernando Haddad, da Fazenda, caracterizou o colapso do Banco Master como “possivelmente a maior fraude bancária da história do país”. A declaração ressalta a gravidade do escândalo e aumenta a pressão por respostas coordenadas das autoridades responsáveis pela investigação.

Especialistas do setor financeiro indicam que o maior risco desse episódio está no impacto sobre a confiança nas instituições. O Banco Central, que atua como “xerife” do sistema financeiro nacional, necessita de credibilidade para exercer seu papel regulador.

O STF tem sido questionado desde que Toffoli assumiu a relatoria do caso e determinou sigilo total sobre os autos. Agora, com o novo despacho, a atuação da Polícia Federal também passa a ser analisada em uma investigação de alta relevância.

Fontes próximas às investigações, em caráter reservado, afirmam que o “fio da meada” do caso Banco Master pode revelar conexões mais amplas, envolvendo operações financeiras complexas, uso indevido de instrumentos regulatórios e possíveis crimes contra o sistema financeiro.


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