Roberto Reis, estrategista eleitoral com 27 anos de atuação, apresenta uma análise da situação atual de Luiz Inácio Lula em relação ao pleito presidencial. Segundo ele, o pânico já se instalou no Planalto. Uma pesquisa publicada nesta terça‑feira (10) indica vitória de Flávio Bolsonaro nos dois turnos. Confira a análise detalhada:
“O plano do PT era rachar o centrão. O instrumento utilizado seria Flávio Bolsonaro. Ok, conseguiram.”
“O que eles não esperavam era um crescimento desse porte.”
“Qual é o problema para os petistas diante disso? ‘SIM, rachamos o centrão. Mas o centrão não foi para o lado do Lula automaticamente. Ele deve ficar em cima do muro. Lula está mais fraco do que parecia e tem pouco tempo para melhorar até 4 de abril, o dia D e a hora H da definição.’”
“O centrão neste momento pensa: ‘Se matem e nós pegaremos as sobras’.”
“Esse é o pensamento de Ciro Nogueira, Baleia Rossi e Marcos Pereira.”
“Olha o pepino que o PT não esperava: se Lula concorrer apenas com coligações de partidos de esquerda (PT, PCdoB, PSOL, Rede, PSB e PDT), terá apenas 29 % do tempo de TV. É insuficiente para a situação, para a reeleição, e não garante competitividade.”
“O que isso quer dizer? Você, leitor, quer uma referência sobre reeleição?”
“O tempo de TV de Ricardo Nunes para a prefeitura de São Paulo em 2024 foi de 65 %, mais que o dobro do citado acima. Essa coligação foi construída por Michel Temer, Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas.”
“Já em 2026 o PL, sozinho, sem apoio de outros partidos, já tem 24 % do tempo de TV, quase empatando com o Lula, que conta com seis partidos.”
“Com o centrão em cima do muro, UP, PSD e MDB somam 44 %. Eles são o pêndulo!”
“Distribuição atual: toda a esquerda – 29 %; só o PL – 24 %; centro em cima do muro – 44 %.”
“E agora, Lula? Você queria tanto o Flávio. Chegou até a dizer: ‘não desista, Flávio’.”
“O centrão percebeu que Flávio não tem a força de Tarcísio, mas também viu que Lula está mais fraco do que parecia.”
“Dividir é fácil; aglutinar é outra história. Talvez só no segundo turno.”
“Mas há um problema para o PT no segundo turno: todos os demais candidatos são de direita e inevitavelmente se oporão a Lula.”
“A mecânica é a seguinte: ao colocar muitos candidatos no primeiro turno, a disputa ganha duas camadas – a do voto e a da estrutura. É o jogo que o centrão prefere, pois quem vencer dependerá dele.”
“Estrutura significa tempo de TV e dinheiro de campanha. Isso não nasce do candidato, mas do tamanho do partido e das coligações, já que o horário eleitoral e a fatia do fundo são distribuídos conforme a representação de cada legenda no Congresso. Nesse ponto, o centrão domina.”
“Entra em cena a cláusula de barreira: partidos que não alcançarem o patamar mínimo na eleição anterior ficam sem tempo de TV e sem acesso aos fundos públicos.”
“Na prática, esses partidos – PSB, Rede, PSOL, PCdoB, PDT – tornam‑se figurantes, os aliados atuais e fiéis de Lula. Podem aparecer em debates, mas não conseguem sustentar uma máquina nacional poderosa.”
“Nesse cenário, o centrão age como pêndulo. Se percebe que nenhum dos polos está suficientemente forte para impor um acordo, adia a decisão ao máximo, permanecendo em cima do muro, deixando os dois lados se desgastarem no primeiro turno e negociando no segundo, quando todos precisarão se aglutinar.”
“A fragmentação é o mecanismo que permite isso.”
“Os candidatos que se confirmarão em 2026 serão de direita, pois estamos em um ciclo estrutural desse tipo. Assim, será fácil para o centrão decidir a que lado alinhar‑se.”
“O PT terá que refazer seus planos. Flávio foi a ideia deles, mas colocaram fermento demais nesse bolo.”
Assombrado, Haddad admite “fenômeno eleitoral” em transferência de votos de Jair para Flávio (veja o vídeo):
Pesquisa Futura/Apex indica que Flávio Bolsonaro vence Lula em todas as regiões, exceto no Nordeste:
Nova pesquisa traz um dado inédito e põe o Planalto em polvorosa:
