O ex-deputado federal Jorge Tadeu Mudalen decidiu percorrer cerca de 1.000 kilômetros a bordo de um Fusca 1975 para protestar contra a proposta de ampliação da vistoria veicular periódica no Brasil. A viagem terá início na terça‑feira, 3 de fevereiro de 2026, ao meio‑dia, com saída do Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo, e chegada prevista a Brasília na quarta‑feira, 4 de fevereiro.
A iniciativa tem como objetivo chamar a atenção para uma emenda incorporada ao parecer da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei nº 3507/2025. A modificação abre caminho para a exigência de vistoria periódica em veículos com mais de cinco anos de fabricação, condicionada à regulamentação futura do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que ficará responsável por definir os prazos e intervalos das inspeções.
Segundo Mudalen, o protesto busca alertar parlamentares e autoridades de trânsito sobre os impactos sociais e econômicos da medida. Ao chegar à capital federal, o ex‑deputado pretende protocolar ofícios na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e encaminhar pedidos formais tanto ao Contran quanto à Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito).
“Quem anda com carro antigo não está fazendo isso por luxo. É porque não tem alternativa. Criar mais uma obrigação, com risco de penalidade, é empurrar custo para quem já está no limite. Segurança no trânsito é importante, mas não se constrói com generalizações nem com mais burocracia”, afirmou.
Dados do Relatório da Frota Circulante Brasileira 2023, elaborado pelo Sindipeças/Abipeças, indicam que aproximadamente 34,4 milhões de veículos leves em circulação no país têm mais de cinco anos de uso, o que amplia o alcance potencial da medida em debate.
Abaixo‑assinado e mobilização
Paralelamente à viagem, Mudalen também divulga um abaixo‑assinado que pretende entregar às autoridades responsáveis pela análise do tema. O documento busca reunir assinaturas de motoristas e apoiadores contrários à ampliação da vistoria periódica.
Segundo o ex‑parlamentar, embora a proposta não estabeleça valores, o impacto financeiro é inevitável.
“A lei pode não falar em preço, mas fala em multa. E toda vez que isso acontece, o roteiro é conhecido: o poder público credencia empresas privadas, cria exigências técnicas e, no fim, a conta vai para o bolso do trabalhador”, declarou.
A travessia em um veículo clássico é apresentada como um gesto simbólico para reforçar o argumento de que carros antigos continuam em circulação por necessidade, e não por escolha, e que mudanças na legislação devem considerar a realidade de milhões de brasileiros.
