Executivo da Reag Investimentos, investigado por ligação ao PCC, fez negócios com os irmãos de Toffoli

Silvano Gersztel, executivo da Reag Investimentos, representou um fundo da gestora na compra de metade da participação dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá, localizado no Paraná. A transação, realizada em setembro de 2021, envolveu uma fatia avaliada em R$ 6,6 milhões, pertencente a José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli.

Documentos da Junta Comercial do Paraná comprovam que Gersztel atuou formalmente como representante do fundo Arleen nas empresas controladoras do resort. A sociedade entre o fundo e a família Toffoli permaneceu ativa até 2025.

O executivo está sendo investigado pela Polícia Federal por suposta participação em esquema de lavagem de dinheiro destinado a empresários do setor de combustíveis com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Entre fevereiro e julho de 2025, tanto os familiares do ministro quanto o fundo de investimentos venderam suas participações ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que se tornou o único proprietário do empreendimento.

Gersztel ocupou cargos de destaque na Reag por nove anos, sendo considerado o número 2 na hierarquia da empresa, abaixo apenas do fundador João Carlos Mansur. A gestora chegou a administrar mais de R$ 340 bilhões em ativos no auge de suas operações.

No início de janeiro de 2026, após a aquisição da empresa pela Planner, Gersztel renunciou aos cargos de diretor‑presidente e diretor financeiro de uma administradora de fundos da Reag.

O pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é cotista dos fundos Leal e Arleen, administrados pela Reag. Esses fundos aportaram R$ 20 milhões no resort Tayayá, com o Arleen tornando‑se formalmente sócio das empresas dos familiares do ministro.

Operação Carbono Oculto e as conexões com o crime organizado

Em agosto de 2025, Gersztel foi alvo de buscas e apreensões durante a Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal. A operação investiga o uso de fundos da Reag para lavagem de dinheiro dos controladores das distribuidoras Copape e Aster, empresários suspeitos de vínculos com o PCC.

As investigações apontam que os proprietários dessas empresas, Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Huissein Murad, ambos foragidos da Justiça, são acusados de sonegação fiscal bilionária. Os fundos da Reag teriam sido utilizados para adquirir usinas, postos de gasolina e imóveis de alto valor.

A estratégia visava evitar a arrecadação de impostos pela Receita Federal e ocultar a verdadeira identidade dos proprietários desses bens. Gersztel e Mansur deixaram a Reag em meio às investigações sobre suas atuações nos fundos para clientes investigados.

A Polícia Federal investiga a participação de Gersztel em diversas transações suspeitas, incluindo a compra da Usina Itajobi, produtora de etanol em Marapoama, interior paulista. A usina foi adquirida pelo fundo Mabruk II, supostamente utilizado para ocultar a verdadeira propriedade do empreendimento.

O Ministério Público afirma em seus documentos que a “aquisição das usinas sucroalcooleiras foi instrumentalizada com fundos de investimento” e que executivos da Reag, incluindo Gersztel, “atuam em consonância com as dinâmicas fraudulentas da organização criminosa”.

Após a Operação Carbono Oculto, a Reag também passou a ser investigada por supostamente abrigar fundos relacionados às fraudes do Banco Master. Essas investigações estão sob a relatoria do ministro Dias Toffoli no STF.

Daniel Vorcaro, banqueiro envolvido no caso Master, tem demonstrado preocupação com a Operação Carbono Oculto. Sua defesa solicitou à Justiça Estadual de São Paulo que encaminhe o caso ao STF para ficar sob a responsabilidade de Toffoli.

Durante a Operação Quasar, realizada em conjunto com a Carbono Oculto, foram encontradas mensagens relacionadas ao Master e a Vorcaro. O ministro Dias Toffoli tem enfrentado questionamentos após as revelações sobre a relação de seus familiares com fundos da Reag.

Parlamentares federais manifestaram que o ministro deveria se declarar impedido para atuar como relator do inquérito. A Procuradoria‑Geral da República avaliará a possibilidade de questionar a suspeição de Toffoli caso seja formalmente provocada.

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou não ter “qualquer conhecimento a respeito dos negócios dos referidos fundos”. Declarou ainda que ele nunca foi cotista nem “participou de sua gestão”. Acrescentou que Vorcaro “não tem nem nunca teve informação ou participação em negócios relacionados ao resort ou quaisquer outros investimentos realizados por esses veículos”. “A defesa permanece colaborando com as autoridades e reitera que associações entre essas estruturas e o Sr. Vorcaro não correspondem à realidade”, afirmou.


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