Família de Pedro Turra lamenta morte de Rodrigo Castanheira enquanto tio do adolescente denuncia execução

A família do piloto Pedro Turra, de 19 anos, manifestou‑se sobre a morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos. O falecimento foi confirmado neste sábado (7), após o jovem não resistir aos ferimentos decorrentes de uma briga ocorrida em Vicente Pires, no Distrito Federal, em 22 de janeiro.

“Em nome da família de Pedro Turra, com profundo respeito e sincera solidariedade, lamentamos o falecimento de Rodrigo Castanheira”, disse o advogado de Pedro Turra, Daniel Kaefer, em nota.

Na sexta‑feira (6), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Turra. Com a decisão, o piloto permanecerá em cela individual no Complexo Penitenciário da Papuda, conforme determinação formalizada pelo diretor‑geral do Centro de Detenção Provisória (CDP) na terça‑feira (3).

Rodrigo estudava no Colégio Vitória Régia e era morador do Distrito Federal. Amigos e familiares organizaram duas vigílias em frente ao Hospital Brasília durante sua internação; a última vigília ocorreu na sexta‑feira (6), um dia antes da confirmação do óbito.

Os tios de Rodrigo informaram, em 30 de janeiro, que o adolescente apresentava reações a estímulos. A partir desse momento, os pais decidiram suspender as visitas para preservar o quadro clínico do jovem. O óbito foi confirmado pelo advogado da família, Albert Halex.

“NÃO FOI UMA BRIGA, FOI EXECUÇÃO”

Flávio Henrique Fleury, fisioterapeuta e tio de Rodrigo, falou à imprensa expressando sua indignação.

“É muito complicado pensar que um garoto como o Rodrigo foi morto de graça. Um jovem com um futuro enorme, um garoto maravilhoso… Um rapaz resolveu matá‑lo e pronto”, lamentou.

O tio revelou que a mãe de Rodrigo, identificada como Rejane, ainda não conseguiu conversar com outros familiares.

“Ela me mandou mensagem falando sobre a morte, mas avisou: ‘Não me ligue, porque eu não dou conta’.”

“É uma gente tão nova, com tanto futuro. O Rodrigo perdeu a vida de forma gratuita. Os pais [dos suspeitos] também vão sofrer, vão pagar por isso. A educação, quando é dada na Justiça, dói muito mais do que a educação dos pais”, afirmou Flávio.

Como a briga começou

Segundo a investigação policial, o incidente teve início quando Pedro Turra arremessou um chiclete já mascado em direção a um amigo de Rodrigo. Após provocações, os dois jovens iniciaram um confronto físico.

Vídeos do local mostram Turra desferindo um golpe que fez Rodrigo colidir a cabeça contra um automóvel. O impacto deixou o adolescente inconsciente, chegando a expelir sangue enquanto recebia os primeiros socorros.

Flávio Henrique Fleury comentou sobre novas pistas colhidas pelos investigadores, sugerindo que outro adolescente teria armado uma emboscada contra Rodrigo por ciúmes.

“[No dia do crime] eles esperaram várias vezes dando voltas no quarteirão esperando o Rodrigo estar sozinho. Um cara de 1,90 m pegar um garoto de 1,65 m é totalmente desproporcional, não é briga de adolescente. Não foi briga, foi execução.”

Ele prosseguiu:

“Quero que entendam que não foi uma briga que deu errado e ele morreu. Não. Na minha visão, o Rodrigo morrer já era planejado. Aguardo ansiosamente que a Justiça vá atrás dele [jovem que teria tramado a morte]. Acredito muito que a Justiça vai atrás, vai condenar. Por ele ser menor de idade, acredito que devam ir atrás dos pais dele.”

A prisão de Turra foi solicitada pelo Ministério Público do Distrito Federal. Em entrevista coletiva, o delegado Pablo Aguiar, responsável pelo caso, afirmou que o piloto teria histórico de comportamento violento, incluindo suposta tortura de uma adolescente com uso de taser. O delegado chegou a classificar Turra como “sociopata”, demonstrando emoção diante da gravidade dos fatos.

A defesa contestou as declarações do delegado.

“O delegado não tem competência para definir o comportamento psicológico de ninguém. Isso pode configurar abuso de autoridade”, afirmou o advogado Enio Barros.

Histórico e prisão preventiva

Outros registros policiais envolvendo Pedro Turra incluem agressão em via pública contra outro jovem após desentendimento e um episódio de violência no trânsito contra um motorista de 49 anos.

Autoridades investigam ainda denúncia de que Turra teria coagido uma adolescente a consumir bebida alcoólica durante uma festa, o que poderia caracterizar violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

Turra foi preso preventivamente no dia 30/1, em sua residência, sob protestos de moradores. Ele já havia sido detido anteriormente, mas foi liberado após pagamento de fiança de R$ 24 mil. Agora, permanece à disposição da Justiça.

Com a confirmação do óbito, a tipificação penal poderá ser alterada para lesão corporal seguida de morte, prevista no artigo 129, parágrafo 3º, do Código Penal. Esse crime ocorre quando há intenção de agredir, mas a morte resulta de negligência, imprudência ou imperícia, com pena de reclusão entre 4 e 12 anos.

Flávio lembra Rodrigo como um jovem muito ativo.

“Ele tinha elo com futebol, paixão pelo futebol, por esporte. Era um menino que não parava, muito atleta, muito ativo. Era muito difícil vê‑lo em uma cama. Com certeza ele está num lugar bem melhor.”

O tio também comentou sobre a possibilidade de doação de órgãos.

“Particularmente, acho muito interessante, mas ainda não sabemos”.


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