O senador Flávio Bolsonaro quer aproveitar a repercussão negativa do Carnaval para o governo Lula e acelerar sua trajetória eleitoral. Algumas pesquisas já o colocam na dianteira.
Segundo o jornalista Ricardo Chapola, da Revista Veja, a estratégia do senador será calibrar os discursos para atrair a classe média — faixa do eleitorado que, na avaliação de conselheiros do senador, foi duramente atacada no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, agremiação que homenageou o presidente Lula.
Na apresentação voltada a enaltecer a trajetória do petista, a escola apresentou uma ala batizada de “neoconservadores em conserva”. Nela, os foliões vestiam fantasias que simulavam uma lata com a foto de uma família tradicional brasileira, além de fazer alusões críticas aos apoiadores da ditadura militar e aos evangélicos.
A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada e deixou o pelotão de elite do Carnaval. Após o desfile, a oposição se mobilizou nas redes sociais e acusou o presidente de fazer propaganda eleitoral antecipada. O senador Flávio Bolsonaro incrementou as críticas ao petista com publicações enfatizando os ataques feitos à família.
Conforme apurado por Chapola, se a estratégia for bem-sucedida, os aliados do senador acreditam que o desempenho dele nas próximas pesquisas de intenção de voto tende a melhorar.
Para os estrategistas da pré-campanha do filho do ex-presidente, as eleições deste ano devem ser ainda mais polarizadas do que as de 2022 e serão decididas nos detalhes.
Ao longo da pré-campanha, Flávio Bolsonaro foi orientado a enfatizar que é a alternativa para devolver qualidade de vida aos eleitores de classe média e a destacar que o governo Lula foi responsável, entre outras coisas, pela perda do poder de compra dessa parcela do eleitorado.
