“A ideologia é incapaz de suplantar a biologia”, afirmou Fernando Holiday, ex-vereador por São Paulo, homossexual assumido. A frase resume o debate sobre a candidatura e eleição do deputado federal Erika Hilton à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CDM), que gerou uma campanha visando impedir sua posse e, posteriormente, cassar seu mandato.
O jornalista Demétrio Magnoli já expôs que qualquer deputado federal, homem ou mulher, tem o direito de ser eleito presidente da CDM ou de qualquer outra comissão. A questão, porém, não se trata de discutir direito, mas adequação. Não é adequado um homem assumir a CDM, assim como não seria adequado o deputado Tiririca, praticamente analfabeto, assumir a Comissão de Cultura da Câmara, embora seja deputado.
É necessário apresentar uma preliminar: nunca houve ofensa ou desrespeito a pessoas homossexuais ou a quaisquer pessoas desconfortáveis com sua condição biológica de nascimento. Como professor universitário, alunos claramente homossexuais foram orientados com o mesmo respeito e deferência dedicados aos demais. O desempenho acadêmico sempre foi o único critério relevante. Não se entende como um homem pode gostar de se relacionar com outro homem, ou mulher com mulher, mas isso não confere o direito de desrespeitá-los por tais condições.
O caso Erika Hilton, nascido Felipe Santos Silva, revela profunda incoerência e hipocrisia. Em vídeo que circula na internet, ele sempre se jactou de sua negritude, afirmando: “Não adianta alisar os cabelos, você é negro”. Contudo, assim que pôde, alisou e aloirou os cabelos para parecer uma mulher nórdica. Aparentemente, fez tratamento para clarear a pele.
Adotou o nome Erika, de origem germânica, derivado de ‘Eirikr’, que significa “eterna soberana”, “rica em honra”, “aquela que reina como uma águia”. Ao adotar tal pseudônimo, alisar e aloirar os cabelos, contraria sua própria afirmação sobre o alegado orgulho pela negritude. Manifesta-se, ao contrário, como flagrante hipocrisia e falsa propaganda política. Além disso, adotou o sobrenome anglo-saxão Hilton. Definitivamente, alisar e aloirar os cabelos e adotar o nome Erika Hilton não significa aceitar negritude alguma. Significa fuga de sua condição biológica, possivelmente por vergonha desta mesma condição natural. A autenticidade de Fernando Holiday, citado anteriormente, é preferível.
A transexualidade é uma questão séria. Uma pessoa sentir-se desconfortável ou infeliz com seu corpo biológico não pode ser objeto de chacota: é uma condição seríssima, digna dos melhores estudos e maior respeito e consideração. Até aí, há concordância absoluta. Respeita-se que o transexual se identifique como pertencente ao sexo biologicamente oposto ao seu. Evita-se a palavra transgênero porque gênero, em biologia, não se refere a sexo, sendo parte da classificação (taxonomia) dos seres vivos. Por exemplo: ‘homo’ (gênero) ‘sapiens’ (espécie).
Porém, não se aceita que seja imposto considerar o transexual como a pessoa que ele não é, contrariando sua natureza biológica. “A ideologia é incapaz de suplantar a biologia”, sentenciou corretamente Fernando Holiday. O transexual pode achar de si mesmo o que quiser, mas jamais impor a terceiros que aceitem o que ele pensa de si mesmo.
Alguém pode achar que é Napoleão Bonaparte. Isso não deve ser objeto de chacota, mas não é correto impor a terceiros que aceitem que ele seja realmente Napoleão Bonaparte. Existe uma pessoa, catarinense de Indaial, que se denomina Inri Cristo e se identifica como a reencarnação de Jesus. Ele tem todo o direito de se considerar Jesus reencarnado. Mas ninguém, nem mesmo o STF, tem o direito de impor às demais pessoas que o acatem como realmente Jesus reencarnado. As analogias realçam a realidade das coisas.
Não existe “mulher trans”, nem “homem trans”. Esta conceituação não tem assento em fundamentação científica. Existe o transexual, ou abreviadamente trans, mas não “mulher trans” ou “homem trans”. Estes termos representam, cada um, uma contradição nos próprios termos.
O transexual Erika Hilton pode se achar mulher, mas não pode impor às pessoas que pensem dele o que ele pensa ou deseja ser. Além disso, trata-se de um parlamentar improdutivo, grosseiro ao se dirigir a quem não concorda com ele, autoritário e, como já ficou demonstrado, farsante e hipócrita.
A candidatura e eleição à presidência da CDM de Erika Hilton justifica o coro de indignação que se observa entre as mulheres, parlamentares ou não. A indignação se justifica não porque Erika não tenha o direito de se candidatar e se eleger, mas porque, ao contrário do que argumentou o jornalista Demétrio Magnoli, trata-se de uma candidatura e eleição absolutamente inadequadas.
