Instituto de Previdência sofre invasão, tem computadores roubados e levanta suspeita de queima de arquivo

Um boletim de ocorrência registrado na tarde de sábado (14) aponta que a sede da Macapá Previdência (MacapaPrev), órgão da Prefeitura Municipal de Macapá, foi invadida durante a madrugada de sábado. A Polícia Civil do Amapá instaurou inquérito a pedido da Polícia Federal para apurar o roubo de computadores, processos e imagens das câmeras de segurança, sob suspeita de “queima de arquivo”.

De acordo com o boletim de ocorrência, a constatação do roubo ocorreu antes da instituição iniciar o atendimento dos servidores municipais para a concessão do benefício. Foi realizada perícia no local e as investigações estão sob sigilo. A sede da Macapá Previdência fica na Avenida Presidente Vargas, próximo ao prédio da Ordem dos Advogados do Brasil. O registro foi feito pelo advogado Josué Madeira da Silva Júnior.

A invasão ao prédio ocorreu dez dias após a troca na gestão da previdência municipal de Macapá em razão do afastamento judicial seguida de renúncia do prefeito Antônio Furlan (PSD). O vice-prefeito Mario Neto (Podemos) também foi afastado e a prefeitura passou a ser comandada pelo presidente da Câmara Municipal, Pedro Dalua (União Brasil). O prefeito e o vice foram afastados por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O prefeito interino trocou o comando da MacapáPrev. Janayna Gomes da Silva Ramos, presidente do órgão durante a gestão Furlan, pediu exoneração um dia depois da renúncia do então prefeito.

As investigações preliminares apontam que não houve arrombamento externo e que foram cortadas todas as formas de comunicação dos sistemas durante o roubo.

Foram levados os notebooks do ex-diretor Financeiro, Fabiano Gemaque Valente de Andrade, e da ex-chefe de gabinete da Presidência, Karyna Santos Ramos. Os dois também pediram exoneração depois da saída de Furlan da prefeitura.

Meses atrás, o Ministério da Previdência Social questionou ao Tribunal de Contas do Amapá (TCE-AP) a incidência de um rombo de R$ 221 milhões na MacapáPrev. Em dois anos, ela teve seu caixa reduzido de R$ 176,8 milhões para R$ 39 milhões. O caixa atual seria de pouco mais de R$ 31 milhões.

Fontes da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá (Sejusp) informaram que a principal linha de investigação é a destruição de provas sobre ilícitos cometidos na gestão previdenciária do município. Chamou a atenção dos investigadores o fato do alvo central da ação serem os computadores do setor financeiro.

Na quinta-feira (12), a Câmara Municipal de Macapá (CMM) aprovou a instauração de uma comissão processante para investigar o vice-prefeito Mário Neto, que também era secretário de Finanças da prefeitura, e a gestão da MacapáPrev.

No último dia 3 de março, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão com 55 páginas, determinou o afastamento do prefeito Antônio Furlan e do vice-prefeito Mário Neto no âmbito da segunda fase da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga fraude na licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, uma obra de quase R$ 70 milhões com recursos de emendas Pix.

O ministro também autorizou o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá (AP), Belém (PA) e Natal (RN), além do afastamento de outros servidores públicos por 60 dias, casos da secretária da Saúde e do chefe da Comissão de Licitação.

No dia seguinte ao afastamento, Antônio Furlan renunciou ao cargo e se lançou pré-candidato ao governo do estado nas eleições de outubro. Segundo a última pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 10 de fevereiro, Dr. Furlan desponta em primeiro com 66% nas intenções de voto para o governo do Amapá, contra 29% do atual governador, Clécio Luís (União Brasil).

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