Na noite de sexta‑feira (9), as principais cidades iranianas foram palco de novas manifestações contra o regime. O filho do antigo xá, que vive no exílio, incitou os opositores a “tomarem” os centros urbanos.
Os protestos, que começaram há duas semanas com comerciantes insatisfeitos com a crise econômica, representam um dos maiores desafios às autoridades teocráticas que governam o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
Mesmo com o bloqueio da internet imposto pelas autoridades, as manifestações em massa continuaram na sexta‑feira. Segundo o observatório Netblocks, na madrugada de sábado “o bloqueio nacional da internet permanecia em vigor após 36 horas”.
Dois cineastas e dissidentes conhecidos, Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi, alertaram que “o regime iraniano cortou os meios de comunicação dentro do país” e “bloqueou todos os meios de contato com o mundo exterior”. Panahi, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado, afirmou em sua conta no Instagram que a experiência demonstra que o objetivo dessas medidas é encobrir a violência infligida durante a repressão aos protestos.
No distrito de Saadatabad, em Teerã, manifestantes batiam panelas e gritavam “Morte a Khamenei!”, enquanto carros buzinavam em apoio. Outras imagens que circularam nas redes sociais e em canais de televisão em língua persa fora do Irã mostraram protestos semelhantes em outras partes da capital, bem como nas cidades de Mashhad, Tabriz e Qom.
Em Hamadan, um homem agitava uma bandeira iraniana da época do xá, com o emblema do leão e do sol, cercado por fogueiras e pessoas dançando, conforme imagens compartilhadas nas redes sociais. Em Punak, um dos distritos de Teerã, foram registradas pessoas dançando ao redor de uma fogueira no meio de uma rodovia.
No bairro de Vakilabad, em Mashhad, onde se encontra um dos santuários mais sagrados do islamismo xiita, pessoas marcharam por uma avenida gritando “Morte a Khamenei!”.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, escreveu em sua conta no X que “os Estados Unidos estão do lado do corajoso povo iraniano”.
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, criticou duramente na sexta‑feira os “vândalos” que, segundo ele, estavam por trás dos protestos, e acusou os Estados Unidos de incentivá‑los.
A embaixada iraniana em Londres foi invadida por manifestantes. Um deles escalou a fachada, arrancou a bandeira do regime dos aiatolás e hasteou a bandeira dos tempos do xá, com o tradicional leão e a espada.
Veja o vídeo:
