Irã: o povo finalmente perdeu o medo e desafia a ditadura

Manifestantes iranianos tomaram as ruas em protestos que atingem todas as 31 províncias do país, com participação estimada entre 1,5 e 1,85 milhão de pessoas. As manifestações, que ocorrem neste fim de semana, já se espalharam por 180 cidades e 512 localidades diferentes em todo o território iraniano.

O governo do Irã implementou um apagão nacional de internet e bloqueio de telefonia para dificultar a circulação de informações sobre os protestos. Em várias áreas, as autoridades também cortaram a iluminação pública, obrigando os manifestantes a usarem a luz dos celulares durante confrontos noturnos.

O procurador‑geral iraniano classificou os manifestantes como “inimigos de Deus”, termo que, no código penal islâmico do país, constitui crime punível com pena capital. Essa classificação demonstra como o sistema judicial iraniano trata a dissidência política.

Testemunhas afirmam que corpos foram “empilhados” em um hospital de Teerã após confrontos com as forças de segurança. Profissionais de saúde relatam hospitais operando acima da capacidade, com centenas de feridos e mortos, cuja contagem oficial é afetada pela censura governamental.

Apesar das restrições de comunicação, vídeos e relatos conseguem circular, mostrando cenas de resistência. Na cidade de Babol, no norte do país, manifestantes confrontaram policiais e libertaram pessoas que haviam sido detidas. Em outras localidades, estátuas de Qassem Soleimani, figura considerada heroica pelo regime, foram derrubadas e incendiadas.

Donald Trump afirmou que “o Irã está em grandes apuros”. O ex‑presidente americano discutiu possíveis ações militares contra o regime iraniano e declarou que os Estados Unidos responderão caso o governo continue a reprimir manifestantes “como fez no passado”. Trump descartou o envio de tropas terrestres, mas alertou que Washington “atingirá onde dói” se a repressão ultrapassar certos limites.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, elevou o nível de alerta no país e mobilizou o aparato religioso‑político para defender a versão oficial de que os protestos são resultado da ação de “inimigos externos”.

Os protestos continuam a se expandir pelo país, mesmo com as medidas de controle e repressão impostas pelo regime, incluindo a escassez de informações e o uso da força.


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