O Irã completou 72 horas praticamente desconectado da internet neste domingo (11), segundo dados divulgados pela organização de monitoramento NetBlocks.
De acordo com a NetBlocks, a telemetria indica que o bloqueio nacional permanece ativo, com o tráfego de internet reduzido a cerca de 1% do volume considerado normal desde o dia 8 de janeiro de 2026.
Moradores relatam impactos diretos no cotidiano. Um residente de Teerã confirmou à CNN que os serviços de telefonia celular também estão indisponíveis na capital iraniana, ampliando o isolamento da população em relação ao exterior.
Ainda assim, o diretor da NetBlocks, Alp Toker, informou que alguns cidadãos conseguiram manter comunicação limitada por meio de terminais Starlink contrabandeados ou utilizando sinais de redes móveis de países vizinhos.
“Os apagões nacionais costumam ser a estratégia preferida do regime quando há risco de uso de força letal contra manifestantes”, disse ele, explicando que o objetivo é dificultar a divulgação de informações e reduzir a atenção internacional sobre os acontecimentos no país.
Apesar disso, há relatos de que o bloqueio teve efeito contrário ao esperado. Um morador de Teerã, de 47 anos, que falou à CNN sob condição de anonimato, afirmou que a falta de internet acabou estimulando a mobilização nas ruas.
“O corte da internet parece ter saído pela culatra, já que o tédio e a frustração levaram ainda mais pessoas às ruas”, declarou.
As manifestações já duram cerca de duas semanas e começaram como reação ao aumento da inflação, mas rapidamente ganharam contornos políticos, com pedidos explícitos pelo fim do regime islâmico. Segundo a agência HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, ao menos 65 pessoas morreram e mais de 2 300 foram presas desde o início dos protestos.
Neste sábado (10), a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a segurança do país é uma “linha vermelha” e prometeu proteger propriedades públicas, sinalizando endurecimento da repressão. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, atribuindo o ato a “manifestantes violentos”. Também foram exibidas imagens dos funerais de integrantes das forças de segurança mortos em confrontos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.
No cenário internacional, as tensões aumentaram após novas declarações de autoridades americanas. Na sexta‑feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um alerta aos líderes iranianos. Já neste sábado, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou: “Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.
As autoridades iranianas, por sua vez, acusam os Estados Unidos e Israel de estimularem os “distúrbios”. Enquanto isso, organizações de direitos humanos continuam documentando dezenas de mortes de manifestantes, reforçando a preocupação internacional com a repressão e o prolongado apagão digital no país.
