Jornalismo foca na fofoca das loterias e ignora o prejuízo real

O que leva a imprensa a noticiar que Paulinha Leite ganhou novamente na loteria, “abocanhando” pouco mais de R$ 11 mil, sem mencionar que ela gastou R$ 232 mil?

Para quem teve um prejuízo de R$ 221 mil, ainda assim parece vantajoso garantir sua imagem e seu negócio nas capas dos jornais, não é? De forma enviesada, tudo bem…

A influenciadora, ou melhor, sua empresa, está em litígio judicial com a Caixa Econômica Federal por operar bolões em jogos geridos pelo banco estatal. A Caixa afirma que essa atividade é exclusividade da instituição.

Ela ainda provoca nas redes sociais…

Não pretendo entrar na discussão deles. Minha dúvida é por que a imprensa dá tanta atenção a uma situação tão grotesca.

Será que o fato de ser influencer – ex‑BBB – facilita a mídia a atrair fanáticos para sua audiência?

Será que se trata de matéria paga?

Do ponto de vista jornalístico, esse caso envolvendo loterias coloca em evidência dois episódios emblemáticos que estiveram, ou ainda estão, ligados a crimes e investigações. Era notícia por esse motivo. Em outras palavras, o jornalismo cumpriu seu papel de informar a sociedade, visando ao interesse público.

Em 1993, durante as denúncias contra os “Anões do Orçamento”, o deputado federal João Alves de Almeida, conhecido apenas como João Alves (já falecido), alegou nas investigações que seu súbito enriquecimento se devia à “sorte” de ter ganhado mais de 200 vezes na loteria.

Mais recentemente, o contador João Muniz Leite, que já foi contador de Lula e tem ligações com empresas de Lulinha, é acusado de lavagem de dinheiro para o crime organizado e também justificou sua movimentação milionária dizendo que, apenas em 2021, ganhou mais de 50 vezes na loteria.

É por causa de casos como esses que o jogo do bicho continua vivo. Uma contravenção penal “proibida” desde 1941, o bicho ainda atrai adeptos que fazem pequenas apostas, ganham um pouco a cada vez e se divertem. Os resultados nunca foram divulgados pela imprensa tradicional; eram afixados em postes ou nas paredes de estabelecimentos como botecos. Era um charme, e o índice de credibilidade permanece altíssimo até hoje. Ganhou, recebeu!

Alguém sente saudades da época em que burro, cobra, veado e vaca eram apenas personagens do jogo do bicho?

Essa relação romântica que menciono tem a ver apenas com o apontador da esquina e seu Zé ou dona Maria, que guardam inúmeras histórias em um pequeno pedaço de papel. Carnaval, futebol, polícia e política também têm suas histórias… ó, têm!

O bicheiro versus autoridades versus Estado, bem, essa é outra história…

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