Justiça do Rio de Janeiro determinou novamente a prisão do cantor Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, por descumprimento de medidas cautelares. A decisão foi assinada pela juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogar o habeas corpus que mantinha o artista em liberdade.
A ordem judicial tem como base o entendimento do ministro Joel Ilan Paciornik, relator do caso no STJ, que avaliou que Oruam violou de forma reiterada as condições impostas quando deixou a prisão no ano passado. Entre as exigências estava o uso contínuo de tornozeleira eletrônica, considerada essencial para o acompanhamento judicial.

O ministro ressaltou que o sistema de monitoramento ficou seriamente comprometido porque o equipamento ficou sem carga por períodos prolongados. O STJ entende que a recorrência dessas falhas inviabilizou a fiscalização adequada e representou risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.
Documentos anexados ao processo apontam 28 interrupções no funcionamento da tornozeleira ao longo de 43 dias. Algumas falhas duraram até dez horas, concentrando‑se principalmente à noite e nos fins de semana. Na avaliação do relator, esse padrão ultrapassa eventuais problemas técnicos e demonstra desrespeito às determinações judiciais.
Oruam havia conseguido liberdade em setembro de 2025 por decisão do próprio Paciornik, que então considerou insuficiente a fundamentação da prisão preventiva. O cantor responde a duas tentativas de homicídio qualificadas contra policiais civis, ocorridas durante uma operação policial no Rio de Janeiro.
A defesa, representada pelo advogado Fernando Henrique Cardoso, alega que não houve desligamento intencional da tornozeleira. Segundo ele, o equipamento apresentava defeitos recorrentes e chegou a ser substituído pela Secretaria de Administração Penitenciária após avaliação técnica, argumento que será analisado no curso do processo.
Vídeo revela o absurdo que Oruam fez antes de ser preso.
