Marlei de Fátima Froelick, 53 anos, foi assassinada a tiros pelo ex‑companheiro — Waldir Abling, 57 — na manhã de quinta‑feira (29) em Novo Barreiro, no norte do Rio Grande do Sul, município de apenas 4,2 mil habitantes.
Marlei é lembrada por amigos e parentes como agricultora trabalhadora que adorava os animais.
Para o amigo Wilmar Zwirtes, Marlei enviou, momentos antes de ser assassinada, um áudio pedindo que cuidasse de seus animais, relatando que havia problemas em casa.
“Eu te explico bem quando puder te ligar. Tratem bem tratado uma vez por dia os porcos e os cachorros”, disse ao amigo a agricultora, preocupada.
Ela foi morta ao buscar seus pertences no local que dividia com o ex‑companheiro; a vítima planejava ficar na casa do filho. O crime foi presenciado pelo pai, Abílio Frolick, e pela tia da vítima.
A vítima já havia pedido medida protetiva no dia 12 de janeiro, alegando que o ex‑companheiro possuía arma e a havia ameaçado de morte. Mesmo assim, a medida foi indeferida.
Na justificativa do indeferimento, o juiz afirmou tratar‑se de “mero descontentamento” da mulher e de disputa patrimonial, alegando não ser competência do juizado de violência doméstica.
Um dia antes do feminicídio, a medida protetiva que exigia a saída de Waldir Abling da propriedade foi aprovada pela Justiça.
“Já faz dias que ele (Waldir) me disse: ‘Ela não escapa, eu mato ela igual, se eu quero matar, eu mato igual’ — lembrou o pai da vítima.
