Em março de 2024, um mês após assumir o Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski adquiriu, por R$ 9,4 milhões, uma casa de alto padrão na zona sul de São Paulo que pertencia a Alan de Souza Yang, conhecido como “China”, empresário investigado pela Polícia Federal por sonegação bilionária no setor de combustíveis.
A compra foi realizada por meio da Eryal Empreendimentos e Participações, empresa familiar de Lewandowski mantida em sociedade com seus filhos. O imóvel tem 777 metros quadrados e está localizado em condomínio fechado, escolha, segundo o ex‑ministro, motivada por questões de segurança.
Na época da aquisição, China já havia sido condenado por adulteração de gasolina e era alvo de investigações por sonegação em postos de combustíveis. Em 2025, passou a ser investigado na Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de lavagem e sonegação estimado em R$ 52 bilhões e aponta possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação foi deflagrada durante a gestão de Lewandowski no Ministério da Justiça.
Lewandowski afirmou que a compra foi feita de boa‑fé, sem conhecimento prévio sobre os vendedores. Segundo ele, todos os documentos e certidões apresentados indicavam que o imóvel estava regular. O ex‑ministro ainda declarou que nunca havia tido contato anterior com os proprietários e que os processos envolvendo China tramitavam em segredo de justiça.
“Eu fui ver outra casa, mas não atendia às condições de segurança que eu buscava. O corretor apresentou essa residência, e seguimos com o negócio”, disse. Lewandowski acrescentou que o valor pago era compatível com o mercado e que a diferença em relação ao preço anterior se explica pelo fato de o imóvel ter sido adquirido antes em leilão.
Documentos de cartório revelam que a casa foi arrematada em leilão em 2019 pelo pai de China, por R$ 4,9 milhões, após bloqueios judiciais por dívidas bancárias. Em dezembro de 2023, o imóvel foi vendido à nora dele, Anajá de Oliveira Santos Yang, por R$ 4 milhões. Ela também está sendo investigada pela Polícia Federal sob suspeita de atuar como laranja do marido.
A compra pela empresa da família Lewandowski foi registrada em fevereiro de 2024 e paga à vista, mediante transferência bancária para a conta de Anajá na Caixa Econômica Federal.
Lewandowski declarou que nunca chegou a ser, de fato, o proprietário da residência e que busca resolver a situação, seja regularizando o imóvel ou devolvendo a casa e recebendo o ressarcimento do valor pago.
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