Thaís Oyama, em O Globo, explica com precisão cirúrgica o que aconteceu. Lula chamou Moraes de “companheiro Alexandre” e, na sequência, o jogou aos leões. Dois dias após a CPI revelar patrimônio triplicado do ministro e 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões, Lula afirmou que quem quer “ficar milionário não pode ser ministro da Suprema Corte”.
Aquele a quem chamou de “salvador da democracia” por mais de uma ocasião virou passivo eleitoral explosivo.
Primeira razão: contenção impossível
Os números são devastadores para o petista. 49% dos brasileiros não confiam no STF. 66% querem senadores pró-impeachment. O dado mais letal para Lula: 59% veem a Corte como aliada do governo. Com o escândalo Master incontível, defender Moraes é se colocar contra a maioria.
Segunda razão: Caiado obrigou todos a se mover
Flávio Bolsonaro mantinha distância calculada. Pai preso à mercê do STF, cinco pré-candidatos do PL com ações na Corte, risco de o TSE impedir sua própria candidatura. Lula também preferia silêncio. Caiado acabou com o conforto dos dois, exigindo que o STF “corte na própria carne” antes de qualquer impeachment. Arrastou o tema para a arena presidencial. Obrigou Flávio a segui-lo. Obrigou Lula a se mover. Com Lula empatado com Flávio nas pesquisas, qualquer cheiro de corrupção judicial contamina diretamente o incumbente.
Terceira razão: e é a mais reveladora
Um informante altamente qualificado sobre as investigações do Master avisou Lula que “mais coisa pesada vem por aí e não há salvação para a biografia do companheiro Alexandre”.
Lula não abandonou Moraes por princípio. Abandonou porque soube que o pior ainda está por vir e não quer estar no mesmo barco quando afundar. A delação de Vorcaro chega na semana que vem. Em 2026, o eleitor pune quem protege castas intocáveis enquanto taxa o povo até o osso. Lição dura para um lulismo que apostou tudo em narrativas de salvação democrática e agora está em frangalhos.
