Em dezembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em uma reunião que não constava na agenda oficial. O encontro ocorreu no gabinete presidencial e durou cerca de uma hora e meia.
Lula afirmou recentemente que “falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro.
Conforme revelou o colunista Lauro Jardim, a reunião foi articulada pelo ex‑ministro da Fazenda Guido Mantega. Na época, os problemas envolvendo o Banco Master já eram de conhecimento público, e Mantega atuava junto ao governo em defesa da aprovação da operação de venda da instituição ao BRB.
Além de Lula e Vorcaro, participaram do encontro os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia, bem como Gabriel Galípolo, então indicado a presidente do Banco Central. Também esteve presente Augusto Lima, então CEO do Master, apontado como elo entre o banco, Jaques Wagner e Rui Costa.
Durante a conversa, Lima sustentou que grandes bancos conspiravam para preservar a concentração do mercado financeiro e prejudicar o Master. Naquele período, Lula mantinha embate público com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e reforçava a tese de que os bancos privados eram um dos principais entraves ao desenvolvimento do país, devido aos juros elevados e à concentração bancária.
Relatos indicam que o presidente pediu a Galípolo que tratasse o caso do Master com isenção ao assumir a chefia do Banco Central. Sob a gestão de Galípolo, técnicos do BC se posicionaram contra a venda do banco ao BRB e decidiram pela liquidação do Master, alegando a existência de uma fraude de R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro.
Após a decretação da liquidação da instituição, Guido Mantega encerrou sua atuação como consultor do Banco Master.
