Marina Silva volta ao ninho petista. Filiada ao PT desde que entrou na política, em 1985, a política construiu sua carreira no partido, elegendo-se vereadora, deputada estadual e, finalmente, senadora, em 1995.
Ainda como senadora do PT, Marina Silva decidiu deixar o partido em agosto de 2009, quando ficou evidente que Lula escolheria Dilma Rousseff para sucedê-lo. Migrou então para o Partido Verde, onde obteve a legenda para concorrer na eleição presidencial de 2010. Chegou em terceiro lugar, com expressivos 19,3% dos votos.
No final de 2011, Marina Silva anunciou sua saída do PV, depois de ver frustrados seus planos de tirar o domínio da máquina partidária do presidente do partido, José Luiz Penna. A partir daí, começou a se dedicar ao projeto de ter um partido próprio, o Rede Sustentabilidade.
Por incrível que pareça, mesmo tendo mais de 19 milhões de votos em 2010, Marina não conseguiu juntar míseras 500 mil assinaturas para viabilizar o partido para as eleições de 2014. Teve, então, que se filiar ao PSB em outubro de 2013, onde seria candidata a vice na chapa liderada por Eduardo Campos. Com a morte de Campos, Marina passou a ser a candidata do PSB e, novamente, obteve expressivos 21,3% dos votos.
Com esse capital político, Marina finalmente conseguiu fundar seu partido em setembro de 2015. Mas o novo partido foi reprovado no seu primeiro teste eleitoral: nas eleições de 2018, Marina Silva recebeu apenas 1,0% dos votos, menos do que o Cabo Daciolo. Aquele capital político das duas eleições anteriores se esvaiu completamente.
O partido, não tendo atingido a cláusula de barreira, ficou sem acesso ao fundo partidário e à propaganda eleitoral gratuita. Por isso, foi obrigado a fazer uma federação com o PSOL para as eleições de 2022. Marina Silva foi eleita deputada federal por São Paulo, com 237 mil votos.
Agora, Marina Silva volta ao PT para ter uma legenda forte que apoie seu projeto de voltar ao Senado, abandonando a Rede Sustentabilidade à própria sorte. Nada contra que um político busque as melhores alternativas para seguir carreira. Mas Marina Silva é tratada, de maneira geral, como a Madre Teresa de Calcutá da política brasileira. Nada mais longe da realidade.
O que se vê é que o Rede só foi montado para dar suporte às suas ambições políticas pessoais. Quando se mostrou um instrumento inepto para o objetivo, não teve escrúpulo em abandonar seu projeto pessoal para voltar ao PT. A incrível perda de seu capital político talvez seja o resultado dessa percepção de oportunismo. O povo não é bobo, e Marina vai precisar trabalhar muito para ser eleita senadora por São Paulo.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
