Mendonça convoca PF pela segunda vez e mantém decisões que reforçam sigilo e independência nas investigações do caso Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça convocou a Polícia Federal para uma nova reunião nesta segunda-feira (23). O magistrado aguarda o primeiro relatório da corporação com as principais descobertas da investigação sobre o caso Master.

A pauta do encontro inclui pedidos pendentes de análise e eventuais novas diligências. Também será avaliada a manutenção de decisões tomadas pelo ministro Dias Toffoli, antigo relator do caso.

Em despacho expedido na quinta-feira (19), Mendonça autorizou que peritos policiais analisem o conteúdo dos cerca de 100 aparelhos eletrônicos confiscados pelos investigadores. Toffoli havia escolhido previamente os peritos que poderiam acessar os dados. O novo relator também permitiu que depoimentos de investigados sem foro privilegiado ocorram sem anuência prévia do magistrado.

As medidas sinalizam mudança no ritmo das investigações. A apuração mira Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.

Na sexta-feira seguinte, Mendonça determinou que a Polícia Federal envie à CPI mista do INSS dados como o acervo contido no telefone celular de Vorcaro. A ordem inclui informações recolhidas das quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático do banqueiro.

Mendonça realizou uma primeira reunião com a Polícia Federal menos de 24 horas após receber o caso Master. No encontro, o magistrado não avançou sobre o mérito das acusações contra os investigados. Esse tema será tratado na reunião desta segunda-feira.

Segundo interlocutores do ministro, ele estabeleceu diretrizes gerais do que espera da corporação. O relator deu ordens para uma “atuação independente” da Polícia Federal, “com discrição” e “sem perseguir nem proteger” ninguém.

O despacho de quinta-feira indica que Mendonça busca blindar o caso de eventuais interferências do governo Lula e da própria cúpula da Polícia Federal. Ao desfazer parte das ordens de Toffoli, o novo relator estabeleceu que só devem ter acesso a informações do caso “autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos”.

O ministro afirmou que o dever de sigilo no caso Master deve prevalecer “inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”.

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