Mendonça encerra reunião de três horas com a Polícia Federal sobre fraudes do Banco Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça se reuniu com investigadores da Polícia Federal nesta segunda-feira (23). O encontro teve início às 17h no gabinete do ministro e durou cerca de três horas.

Durante a reunião, delegados da Polícia Federal apresentaram um relatório sobre as investigações das fraudes do Banco Master. A Secretaria de Comunicação do STF informou que a corporação expôs o estágio atual das apurações.

A Polícia Federal também recebeu a lista dos processos da Operação Compliance Zero que tramitam no STF. “O encontro também serviu para apresentação à Polícia Federal da lista dos processos da Operação Compliance Zero e desdobramentos correlatos que tramitam na Corte sob a relatoria do ministro”, informou a Secretaria de Comunicação em nota.

Este foi o segundo encontro entre Mendonça e os investigadores, mas o primeiro realizado de forma presencial. As informações fornecidas pela PF auxiliarão o ministro na definição das próximas medidas do caso.

Mendonça assumiu a relatoria das investigações em 12 de fevereiro, após Dias Toffoli deixar o caso em meio a polêmicas. Toffoli comunicou sua saída da relatoria na noite do mesmo dia, após reunião com os dez ministros da Corte.

O grupo discutiu um relatório sigiloso da Polícia Federal. O documento cita mensagens encontradas em aparelhos eletrônicos de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As mensagens mencionavam Toffoli. O material também trata de negociações sobre o resort Tayayá, no Paraná.

Toffoli admitiu ser sócio do empreendimento, mas negou qualquer relação com Vorcaro ou seus familiares. Os dez ministros do STF assinaram nota sobre a saída de Toffoli, afirmando que, “considerados os altos interesses institucionais”, ficou acolhida a comunicação de Toffoli para deixar o caso.

A presidência do STF extinguiu a arguição de suspeição aberta após o envio do relatório da PF, e o caso foi redistribuído para Mendonça.

Mendonça autorizou a Polícia Federal a adotar o fluxo ordinário de trabalho pericial. A análise abrange aproximadamente cem dispositivos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master.

O ministro também ampliou o escopo de atuação da PF nas apurações, permitindo diligências investigativas que não dependem de autorização judicial prévia. Entre essas diligências estão oitivas de investigados e testemunhas nas dependências da Polícia Federal.

Mendonça determinou que o material apreendido permaneça sob custódia da PF e manteve o sigilo dos autos e dos procedimentos relacionados à operação. Foi aplicado o sigilo de nível III, que representa redução em relação ao sigilo estabelecido por Toffoli.

As medidas atenderam pedido da Polícia Federal, que apontou a necessidade de distribuir as tarefas periciais entre profissionais habilitados, seguindo critérios administrativos e técnicos. A PF também apresentou considerações sobre o planejamento operacional das investigações.

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