Quando alguém distorce conscientemente o que vê, alterando a realidade compartilhada, é como se construísse as fundações de um edifício sobre um pântano.
A primeira mentira gera a necessidade de uma segunda, depois de uma terceira, numa sequência que tenta justificar as anteriores, até que, inevitavelmente, o prédio inteiro afunda.
O próprio mentiroso vai se alienando da realidade.
É isso que observamos acontecendo com a cúpula corrupta que usurpou o poder legítimo do povo.
A situação tornou‑se tão insustentável que as mentiras já não convencem ninguém.
Vejam a lambança do Banco Master.
As medidas de cotas sociais, contra cotas raciais, adotadas em Santa Catarina e questionadas pelos iluminados da Suprema Corte, mostram que qualquer pessoa de bom senso defenderia a ajuda aos mais pobres, e não a preferência por cor de pele ou orientação sexual.
Mas a cúpula mentiu tanto que não consegue mais se alinhar à maioria e se vê forçada a impor suas posições à força. O edifício está afundando.
Não há mais como um pequeno grupo de oligarcas corruptos manter o poder, a não ser recorrendo à força, ameaça, chantagem, censura, perseguição, prisão ou até morte.
O medo pode funcionar por algum tempo, mas, como qualquer fera acuada, o instinto de sobrevivência acaba superando‑o, e indivíduos ou massas reagem.
A casa está caindo.
Pedro Possas. Médico.
