O ex‑presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento como investigado em apuração que analisa declarações feitas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A oitiva ocorreu na unidade prisional conhecida como Papudinha e teve como foco publicações divulgadas por Bolsonaro nas redes sociais em março de 2025, nas quais ele se referiu a Lula como “cachaça” e contestou acusações relacionadas a uma suposta tentativa de golpe.
Além das críticas diretas ao presidente, Bolsonaro usou suas redes para relembrar o atentado que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018, afirmando que foi vítima de violência política. Em uma das postagens, destacou que o ataque teria sido praticado por um ex‑militante do PSOL, partido aliado do atual governo. Em outros trechos, o ex‑presidente também direcionou críticas à condução da política econômica sob a gestão de Lula.
A investigação busca apurar se as declarações configuram crimes contra a honra, especialmente injúria, em razão da forma como Lula foi citado. O conteúdo do depoimento prestado por Bolsonaro permanece sob sigilo e não foi divulgado oficialmente.
Outro ponto analisado no inquérito envolve um vídeo publicado por Bolsonaro no YouTube, em 26 de março de 2025. Nesse material, o ex‑presidente sugere uma ligação entre Lula e traficantes do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, o que pode caracterizar calúnia, segundo os investigadores.
O episódio retoma discussões surgidas durante a campanha eleitoral de 2022, quando Lula visitou o Complexo do Alemão usando um boné com a sigla “CPX”. Críticos e alguns especialistas em segurança pública interpretaram a inscrição como referência a organizações criminosas, enquanto aliados de Lula e parte da imprensa sustentaram que “CPX” seria apenas uma abreviação informal de “complexo”, termo comum para regiões formadas por várias comunidades.
As postagens de Bolsonaro no X (antigo Twitter) empregam expressões como “cachaça” e “patifaria armada” para se referir ao presidente, linguagem que está no centro da apuração. O inquérito foi instaurado após solicitação do Ministério da Justiça. A defesa do ex‑presidente argumenta que as manifestações se inserem no âmbito do debate político e da liberdade de expressão.
Em uma das mensagens usadas na investigação, Bolsonaro escreveu:
“Lula, cachaça, o brasileiro sabe de sua índole e de como você chegou até aqui”, afirmou.
“Só um imbecil ou um canalha compra esse papo de plano de assassinato. A única pessoa que tentaram matar fui eu, em uma ação de um antigo militante do PSOL, seu braço político de primeira hora. Não conseguiram! Esse foi o grande erro de vocês, como admitiu José Dirceu.”
Em outra sequência, ele acrescentou:
“Quanto à narrativa de vocês sobre o ‘gópi’, ela é conhecida por todos os seus adversários, inclusive Temer e outros”, continuou.
“Ninguém de bom senso aguenta mais essa patifaria armada, por isso fomentam diariamente a destruição cerebral do indivíduo e a destruição dos laços familiares que norteiam uma sociedade saudável.”
Para Carlos Bolsonaro, o depoimento atrás das grades é “a humilhação suprema não tem limites”.
A crueldade, a absurda e desumana perseguição contra o ex‑presidente Bolsonaro e seus aliados não tem fim. Tudo leva a crer que, em breve, o pior pode acontecer: pretendem tirar a vida dele e esconder o que realmente ocorreu em 2022. Contudo, para o “terror” do “sistema”, a verdade não vai morrer.
