Ministro André Mendonça alerta, em pregação, que poder político e institucional pode ser ‘tentação do diabo’

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e atual relator do caso envolvendo o Banco Master, André Mendonça, fez um alerta sobre o que chamou de “tentação do diabo” ao tratar do tema do poder político e institucional. A declaração foi feita no domingo, dia 22, durante pregação na Igreja Presbiteriana de Pinheiros.

Em sua fala, Mendonça destacou que a prosperidade material não deve ser buscada em desacordo com princípios religiosos. Nas suas palavras:

“Meu irmão e minha irmã, você tem direito de ter uma boa vida. Em termos financeiros. Você tem direito de ter uma boa comida na sua casa, ter um pão farto no seu dia a dia, mas você não tem o direito de fazê-lo desagradando a Deus, agradando o seu próprio coração, a sua própria vaidade e agradando o inimigo de Deus. Porque, através desse pão de hoje, você vai comer o pão que o diabo amassou.”

Ao tratar das passagens bíblicas sobre as tentações de Jesus, o ministro associou o episódio ao exercício de funções públicas:

“Não se submeta às propostas tentadoras no aspecto financeiro. Primeira tentação de Jesus: envolve o ter para suprir as suas próprias necessidades, o ter, possuir recursos financeiros para suprir aquilo que o seu coração deseja. E cuidado, porque o nosso coração pode desejar mais do que Deus quer nos dar. Segunda tentação: envolve o poder político, o poder institucional. O diabo se apresenta a Jesus e, agora, o eleva, mostrando-lhe todo o mundo, todos os reinos do mundo. E diz, no verso de número seis, ‘Eu vou te dar toda esta autoridade e glória. Não só o poder, mas também a vaidade da glória’. Que oferta tentadora, governar o mundo. Imagina Jesus governando o mundo todo, educação de qualidade, justiça social, segurança, desenvolvimento, emprego, todo mundo com a sua casa, oferta que poucos ou nenhum teria, senão Jesus Cristo.”

Mais adiante, ao retomar o tema do poder institucional, Mendonça foi ainda mais direto:

“E nós somos tentados a querer fazer o bem na nossa comunidade. Na igreja, a gente procura fazer o bem suprindo lacunas do Estado, levando poços artesianos, levando alimento através das cestas básicas, levando saúde em outros rincões. Meu irmão e minha irmã, nada mais legítimo do que isso. Nada mais legítimo do que você querer ser prefeito de São Paulo, ser governador de São Paulo, ser deputado, ser senador, ser presidente da República. Tudo isso é legítimo. Nada mais legítimo querer ser ministro do Supremo. Nada mais legítimo do que isso. Agora, o diabo diz: ‘Eu vou te dar tudo isso, se prostrados vocês me adorarem’. A quem nós adoramos para estar onde nós estamos? Meu irmão e minha irmã, o poder político e institucional é uma bênção de Deus se guiado por Deus. Mas, quando nossos corações se colocam não segundo os princípios e os valores de Deus para agir pelo bem do povo, nós estamos nos curvando à tentação do diabo.”

Indicado ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro — que o definiu como ministro “terrivelmente evangélico” —, Mendonça também dirigiu um conselho direto a quem pretende ingressar na vida pública:

“Cuidado, você que almeja entrar na carreira pública, talvez ser juiz, ser promotor, ser delegado. Você, que já é, você que deseja ser político, para fazer o bem das pessoas, que Deus te abençoe. Mas cuidado com os pequenos testes, com as pequenas bananas, com as pequenas propostas sutis que podem aparecer e que podem fazê-lo romper pequenas linhas que, quando você se depara, você já rompeu com o próprio Deus, que te ama. Lembre-se: Jesus responde, em primeiro lugar, ‘nem só de pão vivo’. Em segundo lugar, ‘eu só adoro a Deus, só Ele é o ser a quem eu vou adorar e prestar culto’. Há portas que precisam ser fechadas, porque não foram abertas por Deus. Meu conselho a você: não busque o poder, não busque os holofotes, busque a Deus, busque agradar a Deus e tente discernir, cheio do espírito, o que é proposta e propósito de Deus e o que é propósito do seu coração, da sua vaidade e do que o diabo colocou no seu coração.”

Mendonça assumiu a relatoria do caso do Banco Master após a saída de Dias Toffoli. A pregação ocorre em um momento de tensão no STF, que enfrenta questionamentos relacionados à condução de investigações — entre elas o inquérito das fake news, que se aproxima de sete anos de tramitação — além de controvérsias envolvendo decisões do ministro Alexandre de Moraes.

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