Segundo o Estadão, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acreditam que o ministro Dias Toffoli pretende reverter a liquidação do Banco Master, mas não deve fazer isso imediatamente. Na avaliação dos colegas, Toffoli estaria disposto a adiar a medida, evitando, assim, que a Corte fosse ainda mais atacada pela opinião pública.
O artigo relata que, nos bastidores, os ministros discutem a expectativa de que novas revelações possam surgir, com potencial de tornar o tribunal ainda mais vulnerável a críticas.
Há também temor no Banco Central de que Toffoli anule a liquidação do Master, conforme informou o colunista Álvaro Gribel. Caso isso ocorra, técnicos da autarquia poderiam ser transformados em investigados. As investigações do Banco Central encontraram R$ 12,2 bilhões em créditos podres revendidos ao BRB.
Em caráter reservado, dois ministros do STF afirmaram que a pressão da imprensa pode frear os ânimos de Toffoli. Dentro da Corte, há quem considere que o colega conduziu as investigações de forma atípica: ele levou o caso ao Supremo, decretou alto grau de sigilo e determinou uma acareação antes mesmo de colher os depoimentos dos investigados.
Em um pequeno recuo, o ministro permitiu que a Polícia Federal realizasse primeiro os interrogatórios, para depois avaliar a necessidade de proceder com a acareação no mesmo dia. Tudo isso ocorreu durante o recesso de fim de ano, outro fator que contribui para a atipicidade das medidas adotadas até agora.
Para tornar o caso ainda mais peculiar, Toffoli viajou no mesmo avião que um dos advogados do caso Master. A possível isenção do STF para conduzir o processo também foi levantada a partir da informação de que a advogada Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, mantém um contrato de R$ 129 milhões com o banco.
Historicamente, o recesso do STF é comandado pelo presidente da Corte, que só atua em casos considerados urgentes. Nos últimos anos, alguns ministros optaram por trabalhar durante o plantão, permitindo despachar processos dos quais são relatores. Toffoli e Moraes fazem parte desse grupo.
No entanto, nem todos os ministros do Supremo criticam Toffoli. Existe um segmento que considera a acareação importante para conhecer as versões dos representantes do Banco Central, do BRB e do Master. Reservadamente, um ministro afirmou ao Estadão que não haveria problema algum em realizar o procedimento durante o recesso, embora a prática seja incomum.
Alexandre de Moraes proibiu a venda do livro “Diário da cadeia”, gerando revolta na Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH). O ministro sustenta que a obra induz o público ao erro ao criar a falsa impressão de que o ex‑parlamentar Eduardo Cunha seria o autor, mas a censura persiste há quase um ano.
Outros livros parecem estar na mira da censura. Entre eles estão “Perdeu, Mané” e “Supremo Silêncio”, obras que tratam da censura e de acontecimentos estranhos dentro do STF.
