A cadela comunitária Pretinha, conhecida por viver ao lado do cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, faleceu na noite de segunda‑feira (9). Ela apresentava um quadro grave de saúde, caracterizado por falência renal agravada por dirofilariose, a doença popularmente chamada de verme do coração.
A morte foi confirmada pelo empresário Bruno Ducatti, que assumiu os cuidados de Pretinha após a ampla repercussão do caso envolvendo Orelha. A informação foi divulgada nas redes sociais, acompanhada de uma carta aberta na qual o empresário detalha os esforços empreendidos para salvar a cadela.
De acordo com Bruno, Pretinha recebeu todo o suporte possível: internação intensiva, exames especializados, medicamentos de alto custo e monitoramento contínuo por equipe veterinária. Apesar de todos os cuidados, o quadro clínico evoluiu de forma irreversível.
“Ainda assim, a medicina encontrou seus limites. Não houve omissão, descaso ou abandono. Houve luta até o fim”.
Bruno também ressaltou o impacto simbólico da história dos dois animais para além da Praia Brava.
“Pretinha e Orelha deixaram uma marca que ultrapassa a Praia Brava. Suas histórias mostram o que funciona quando há cuidado comunitário e o que falha quando o poder público e a sociedade se omitem”, prosseguiu.
Pretinha recebeu alta médica em 24 de janeiro, mas precisou ser internada novamente dois dias depois, em 26 de janeiro. Desde então, seu estado de saúde se deteriorou progressivamente, culminando no falecimento nesta semana.
Na carta aberta, Bruno Ducatti relatou que somente após retirar a cadela das ruas foi possível identificar a gravidade real da doença, descrevendo o caso como exemplo de enfermidade silenciosa e avançada, comum entre animais abandonados e invisibilizados. O empresário expressou frustração por não ter conseguido salvá‑‑la, mas destacou o alívio de saber que Pretinha não enfrentou os últimos momentos sozinha.
O texto reforça o pedido por justiça no caso de Orelha e em episódios semelhantes de maus‑tratos, defendendo punições severas e exemplares. Bruno ainda alerta para a urgência de políticas públicas eficazes de controle populacional e saúde animal, enfatizando a importância da castração e do cuidado preventivo.
Ao encerrar a carta, citou: “O modo como uma nação trata seus animais é uma medida de sua civilização.” — David Strauss.
Em tom de despedida, deixou uma última mensagem à cadela, que para ele simboliza resistência, afeto e a necessidade de responsabilidade coletiva com os animais comunitários.
