Nenhum deputado do PT assinou a CPI do Banco Master – o motivo que eles ignoram

O PT está atolado até o pescoço nas falcatruas envolvendo o Banco Master. Nenhum parlamentar do partido assinou nenhum dos pedidos de CPI e CPMI que tramitam no Congresso Nacional. Na prática, ninguém no PT demonstra interesse em investigar esses fatos.

Um artigo do jornalista Claudio Dantas esclarece a questão:

“Em seu depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro foi questionado diversas vezes — e de forma repetida — sobre detalhes técnicos envolvendo as negociações com as carteiras de consignados que se tornaram um dos grandes negócios do banco.”

Embora tivesse conhecimento das operações em nível macro e a decisão final sobre os negócios fosse sua, Vorcaro revelou que toda a operação de crédito consignado estava nas mãos de Augusto Lima, empresário ligado ao núcleo do PT na Bahia, desde 2019. “Ele que tocava essa área do consignado”, afirmou.

“Foi criada uma equipe, na época trazida pelo meu ex‑sócio, que era o Augusto Lima, e ele formou uma equipe dentro do banco para fazer as originações desses créditos. Ao longo do tempo, fomos desenvolvendo esse produto, o banco cresceu em tamanho, patamar e volume de originação”, disse Vorcaro.

Vorcaro alegou que, como presidente do banco, “não entrava nos detalhes, seja da originação, seja de qualquer questão operacional do consignado”. “Realizamos, ao longo desses últimos anos, várias sessões para diversos investidores das carteiras que originávamos, principalmente com o produto CredCesta, que era o principal”, acrescentou.

O CredCesta surgiu na privatização da estatal de supermercados da Bahia, na gestão Rui Costa, em 2018. O produto cresceu rapidamente, chegando a representar metade do lucro do Master e atuando em mais de 160 municípios, em 20 estados diferentes.

Em 2024, Lima negociou sua saída do banco de Vorcaro e, no ano passado, recebeu autorização do Banco Central, sob a direção de Gabriel Galípolo, para comprar o banco Voiter, que passou a se chamar Pleno, levando consigo a carteira de consignado do CredCesta. A operação foi validada pelo órgão regulador, que já questionava a gestão do Master.

Apesar das explicações de Vorcaro, os delegados que conduziram a oitiva não se interessaram em aprofundar a atuação do ex‑sócio petista. Além da estrutura quase autônoma criada por Lima dentro do Master, foi ele quem trouxe para o banco as empresas Tirreno e Cartos, que geraram carteiras de consignado sem lastro negociadas com o BRB.

O banqueiro chegou a comentar com os delegados que Henrique Peretto, responsável pelas duas empresas e que será ouvido nesta semana no Supremo, lhe foi apresentado pelo próprio Augusto Lima. “Conheci ele há alguns anos, através do meu ex‑sócio Augusto, mas tive pouquíssimas vezes com ele. Tive mais recentemente nesse momento de desfazimento dessa operação”, afirmou.

Questionado sobre quantas vezes conversou com Peretto ao longo da negociação das carteiras, Vorcaro disse que “talvez nenhuma em 2024”, época da compra, e “umas seis vezes” em 2025, para desfazer o negócio após notificação do BC. “Quando houve o problema, eu entrei. Esse negócio do consignado andava sozinho, não dependia da minha atuação. Eu só entrava para fazer grandes negociações, seja de aquisição, seja de venda. Portanto, não tinha contato com a área”.


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