Narges Mohammadi, de 53 anos, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2023, está detida desde 12 de dezembro de 2025 em um centro de detenção em Mashhad, no nordeste do Irã. Foi condenada a sete anos e meio de prisão.
A informação foi divulgada pela Fundação Narges neste domingo (8). A condenação ocorreu depois que a ativista denunciou a morte suspeita do advogado Khosrow Alikordi. A pena inclui seis anos de prisão por reunião e conspiração contra a segurança nacional e um ano e meio por propaganda contra o governo. Além da reclusão, Mohammadi foi condenada a dois anos de exílio interno na cidade de Khusf e está proibida de viajar por dois anos.
“Após semanas de isolamento absoluto e corte total de comunicação, ela finalmente conseguiu descrever sua situação em uma breve ligação telefônica com seu advogado”, informou a fundação em comunicado.
A ativista realizou greve de fome durante uma semana; o protesto terminou neste domingo. Durante a ligação telefônica com seu advogado, Mostafa Nili, Mohammadi conseguiu comunicar os detalhes da sentença.
O promotor Hasan Hematifar declarou a repórteres que a ativista teria incentivado os presentes em uma cerimônia em memória de Alikordi a “gritar palavras de ordem que violam as normas” e a “perturbar a paz”.
A condenação ocorre num período de intensificação da repressão governamental contra manifestações antigovernamentais iniciadas em dezembro e que se espalharam por várias regiões do país. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não se pronunciou quando solicitado a comentar o caso.
Mohammadi foi detida diversas vezes nas últimas três décadas devido ao seu ativismo. Ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2023 enquanto cumpria pena de prisão, em reconhecimento à sua campanha pelos direitos das mulheres e pelo fim da pena de morte no Irã.
