O site Metrópoles tornou‑se o mais novo algoz do ministro Alexandre de Moraes. O próprio magistrado “elegeu” esse “inimigo” ao publicar nota classificando a reportagem do veículo como “falsa e mentirosa”, inserindo que se trata de um “padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal”.

Em seguida, o Metrópoles manteve a defesa do conteúdo de sua reportagem, que trazia informações sobre um encontro entre o ministro Alexandre de Moraes e o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na mansão de Daniel Vorcaro. O ministro negou a versão apresentada.
O jornalista Mario Sabino, que já foi alvo de censura do magistrado quando dirigia o site O Antagonista, esclareceu que a matéria não afirma que houve uma reunião formal entre Moraes e Costa na residência de Vorcaro. Segundo ele, o texto indica apenas que o ministro conheceu o então presidente do BRB em ambiente reservado da mansão, trocando impressões sobre a negociação da compra do Banco Master pelo BRB.
Sabino acrescentou que a reportagem descreve um encontro breve, distante da reunião que o ministro tentou desmentir com veemência. Ele também informou que, em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, Alexandre de Moraes esteve na casa de Daniel Vorcaro, em Brasília, acompanhado de assessor, fumando charutos e degustando vinhos caros, em um “bunker” destinado a esse passatempo.
A nota de Moraes não refuta que aquela visita teria sido a segunda vez que o ministro esteve na residência de Vorcaro. De acordo com a reportagem, em 6 de novembro de 2024, o ministro estava novamente no local, assistindo à apuração dos resultados da eleição presidencial dos Estados Unidos, que garantiu o segundo mandato a Donald Trump.
É relevante observar que ambas as visitas ocorreram durante a vigência de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master, controlado por Vorcaro, e o escritório de advocacia da esposa do ministro, a doutora Viviane Barci de Moraes.
Quando surgiram notícias de que Alexandre de Moraes teria pressionado o Banco Central para aprovar a compra do Master pelo BRB, o ministro não só negou a suposta pressão, como também refutou a alegação de que o escritório de sua esposa teria atuado na operação perante o Banco Central. Não há registro de qualquer ação relevante do escritório de Viviane Barci de Moraes que justifique o contrato multimilionário com o Master.
Por fim, a nota do ministro qualifica a reportagem do Metrópoles como “acusações levianas” que “seguem um padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal”. O texto encerra com um tom de intimidação, tentando envolver os demais ministros do STF em um episódio no qual eles não têm participação, e busca ofuscar o problema central revelado pela matéria: a proximidade de um ministro do Supremo com alguém apontado como responsável pela maior fraude bancária da história brasileira.
