Erika Hilton assumiu a presidência da Comissão da Mulher porque os grandes partidos, incluindo o PL, simplesmente não demonstraram interesse por essas comissões que consideram menos importantes.
A presidência das comissões é negociada pelos partidos que detêm mais cadeiras. Portanto, se os partidos de centro-direita realmente quisessem defender essa bandeira, teriam conseguido facilmente a posição.
Enquanto a direita tratar a pauta da mulher como um penduricalho, da mesma forma que trata as Comissões de Cultura e Educação, continuará deixando espaço aberto para a esquerda avançar sem resistência.
Foi exatamente dessa maneira que a direita empurrou para a esquerda as universidades, a classe artística, os movimentos raciais e de gênero. A direita errou feio. Agora resta apenas reclamar que uma pessoa trans assumiu a presidência da comissão.
Nas próximas eleições, é preciso pensar em escolher mulheres dispostas a debater com a esquerda nesses campos e ignorar aquelas que fogem do enfrentamento dessas pautas.
Representatividade é exatamente isso. Se o objetivo é representar as mulheres, então é necessário estar apto a participar do debate.
