A trilogia do clássico cinematográfico “O Poderoso Chefão” continua sendo um dos maiores sucessos de público e de arrecadação da história do cinema.
No segundo filme, destaca‑se a implantação de cassinos da Família Corleone em Cuba, iniciativa atribuída a Michael Corleone, o “capo di tutti i capi”.
O longa mostra a participação de diversos agentes públicos – congressistas, militares, policiais, juízes, promotores, jornalistas – além do presidente cubano, Fulgêncio Batista, que recebe, de empresários norte‑americanos do setor de telefonia, um telefone de ouro maciço. Todos esses personagens são retratados como subornados e envolvidos na corrupção mafiosa de Nova Iorque, que inclui festas de orgias com prostitutas, consumo de drogas, álcool e grandes quantias de dinheiro provenientes de Las Vegas e de Havana.
Assim, Michael Corleone, seguindo o modelo de seu pai Vito, mantém na folha de pagamento juízes, promotores, delegados, jornalistas e congressistas, garantindo a expansão nacional e internacional dos negócios da “Famiglia Corleone” e consolidando uma ampla rede de corrupção sistêmica.
É evidente a busca por dinheiro fácil e práticas escusas, patrocinadas pelo crime organizado, por parte de autoridades públicas que utilizam a toga, a farda e os cargos para enriquecer ilícita‑mente, abandonando o interesse público em favor de ambições pessoais e familiares, transformando o Estado em um enorme balcão de negócios paralelos.
Entre as atividades descritas estão o tráfico de drogas, o consumo excessivo de álcool, o jogo clandestino, subornos, prostituição, troca de favores, tráfico de influência, jornalistas pagos para criar notícias falsas, lavagem de dinheiro no Banco Ambrosiano, pagamentos generosos a advogados influentes em tribunais subornados e, quando essas estratégias falham, assassinatos seletivos – inclusive de figuras de alto escalão – como forma de intimidação.
Felizmente, tudo isso se restringe ao universo ficcional da trilogia, sem repercussões reais.
Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa.
