O preso político que não fugiu

Em setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo decidiu que ele deve cumprir 27 anos e três meses de cadeia por tentar um golpe, liderar uma quadrilha armada e praticar crimes contra a democracia.

Ele já está inelegível até 2030 por abuso de poder. Agora vai para a prisão, talvez em regime fechado, e só poderá ficar em casa se a saúde deteriorar.

Enquanto muitos réus ricos fogam para Miami, Lisboa ou Orlando, Bolsonaro chegou a Brasília direto de Orlando, encarou a crise judicial e afirmou: “Eu fico”. Ele decidiu ficar e assistir ao caos de perto.

Com isso, ele faz algo que nenhum político brasileiro fez recentemente. Dirceu optou por negociar delação. Cunha tentou fugir, mas foi preso no aeroporto. Temer passou uma noite na prisão e depois se recolheu aos livros e entrevistas pagas. Em 2018, Lula pensou em pedir asilo na embaixada da Itália, mas o pedido foi negado e o país já estava cercado.

Ele passou três meses nos EUA, com passaporte diplomático, filhos acomodados, conta cheia e sem risco de extradição. Poderia ficar lá. Não o chamariam de covarde, mas de “estratégico”. Ainda assim, voltou ao Brasil, quebrando todas as versões pré‑fabricadas.

Primeira história que rola o dia inteiro: ele é um covarde que foge da justiça. Não funciona. Segunda versão: ele só pensa na família. Também não bate, porque se fosse proteger os filhos, teria ido para a Flórida. Terceira versão: ele é um louco perigoso que deve ser contido. Essa não explica por que ele mesmo se entregou.

O que resta é algo que incomoda: Bolsonaro tem uma determinação que a política brasileira não vê há décadas. Pode ser teimosia, orgulho, missão messiânica ou cálculo de mártir, mas não é covardia. Isso irrita os opositores, que preferem a história do “ditador fugitivo”. Também incomoda parte dos aliados, que o veem como símbolo de resistência, enquanto gostariam que ele fosse apenas um candidato que entrega votos e fica na sombra. Hoje, quem defende sua prisão não são os inimigos, que já o consideram morto politicamente, mas alguns aliados que precisam do mártir para unir a base.

Enquanto Bolsonaro aguarda o julgamento, o governo Lula não escapa da crítica. Prometendo moralidade, o PT volta a ter escândalos. Em 2025, a Operação Sem Desconto revelou um esquema bilionário no INSS, que desviou cerca de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024, cobrando descontos indevidos de aposentados idosos.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso como líder do golpe, mas o que assusta é a ligação com o Planalto. Alessandro Stefanutto, ex‑presidente do INSS nomeado por Lula em 2023, foi detido na mesma operação que investiga os descontos ilegais. Também surgiram indícios de um sindicato ligado ao irmão de Lula, Frei Chico, vice‑presidente do Sindnapi, que alimentou a CPMI do INSS e já tirou Lupi do cargo.

Em novembro, a Operação Coffee Break chegou à família de Lula. Carla Ariane Trindade, ex‑nora de Lula, foi alvo de buscas por tráfico de influência no MEC, envolvendo a empresa Life Tecnologia Educacional, que recebeu R$ 70 milhões em contratos superfaturados de kits e livros para escolas de São Paulo. Ao mesmo tempo, Kalil Bittar, ex‑sócio de Lulinha na Gamecorp, atuava como lobista e usou o nome do presidente para liberar verbas do FNDE. Lula não comenta, enquanto a PF diz ter “poucas dúvidas” de pagamentos em dinheiro à sua nora.

Desde 2023, o governo cortou R$ 4,4 bilhões da Saúde em 2024, R$ 1,2 bilhão da Educação e mais R$ 3,8 bilhões em 2023, deixando hospitais, Farmácia Popular e livros didáticos sem recursos. As contas para 2027 apontam um déficit de R$ 10,9 bilhões só para cumprir os pisos constitucionais, apertado pelo arcabouço fiscal que Lula aprovou. Como diz o ex‑procurador Deltan Dallagnol, é o “velho jeito petista”: o Estado é dividido entre aliados e a corrupção surge como consequência.

A contradição está clara. Enquanto isso, Nayib Bukele faz de El Salvador o país mais seguro das Américas, prendendo 1 % da população adulta, e o centro democrático brasileiro aplaude o “milagre”. No Brasil, ao prender um ex‑presidente sem crime de sangue, o mesmo centro finge que tudo está bem e diz que “as instituições funcionam”. Mas e os desvios no INSS? E a família de Lula no MEC? E os cortes que deixam crianças sem livros e idosos sem remédios?

No final, Bolsonaro pode acabar na prisão, mas a lembrança não será a de um covarde que fugiu, nem a de um genocida. Será a de quem podia desaparecer e escolheu ficar para enfrentar um sistema que persegue uns e protege outros.

Essa postura é rara na política, onde a maioria prefere fugir, delatar ou buscar o caminho mais fácil, enquanto escândalos de ambos os lados corroem a credibilidade de todos.

Sou policial federal, formado em Direito e Administração de Empresas.

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