A Polícia Federal (PF) finalizou um relatório que detalha as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master. O documento será encaminhado ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação amplia o caso que já havia identificado vínculos entre o ministro Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.
O diretor‑geral da PF, Andrei Rodrigues, informou a Fachin que a análise do celular de Vorcaro revelou menções frequentes a Moraes. Os dados recuperados indicam proximidade entre o magistrado do Supremo e o banqueiro, com referências a transações financeiras nas conversas.
Em dezembro de 2025, a apuração avançou após a descoberta de um contrato entre Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Banco Master. O acordo previa o pagamento de R$ 130 milhões ao longo de três anos, supostamente para que ela atuasse pelos interesses da instituição junto aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
As autoridades não identificaram serviços prestados que justifiquem o valor contratado. Moraes e sua esposa não apresentaram explicações sobre a natureza desse acordo comercial com o banco.
O jornal O Globo publicou que o relatório específico sobre Moraes ainda não foi formalmente entregue a Fachin. Caso o documento fosse enviado diretamente a Toffoli, então relator do caso Master no STF, existia a possibilidade de arquivamento, pois o ministro havia tomado decisões contrárias às orientações da PF.
A redistribuição do processo, feita por sorteio, designou o ministro André Mendonça como relator, após a saída de Toffoli da relatoria. Essa nova configuração cria um cenário mais desfavorável a Moraes, que defendia Toffoli em manifestações públicas e em reuniões internas no Supremo Tribunal Federal.
