A Polícia Federal está analisando um pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública que solicita a abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), pré‑candidato à Presidência da República.
O requerimento chegou à PF no dia 8, um dia depois de ter sido formalizado pela deputada federal Dandara Tonantzin (PT‑MG).
A parlamentar pede a apuração de postagens feitas por Flávio Bolsonaro nas redes sociais, nas quais o senador vincula o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex‑ditador venezuelano Nicolás Maduro.
O encaminhamento do pedido à Polícia Federal foi uma das últimas providências adotadas por Ricardo Lewandowski, então ministro da Justiça, antes de apresentar sua demissão ao presidente Lula, na quinta‑feira, dia 8.
No documento enviado às autoridades, Dandara Tonantzin afirma que Flávio Bolsonaro teria atacado a honra do presidente da República. Entre os exemplos citados está uma publicação em que o senador afirma que uma eventual delação envolvendo Lula representaria o “fim do Foro de São Paulo”. A manifestação ocorreu após a prisão de Maduro pelos Estados Unidos.
Em outra publicação, Flávio Bolsonaro declarou que Lula e o Partido dos Trabalhadores defendem a soberania venezuelana, comparando essa postura à defesa da Alemanha nazista na época da queda de Adolf Hitler. Em vídeo divulgado, o senador também acusa Lula de “envergonhar o Brasil” ao apoiar Maduro, além de citar perseguições políticas no país vizinho e o êxodo de venezuelanos.
Conforme os protocolos internos da Polícia Federal, a corporação pode instaurar um inquérito, concluir que não há elementos suficientes para investigação ou encaminhar o caso a outro órgão, caso entenda que a matéria não é de sua competência.
No pedido, a deputada solicita que a PF preserve as provas digitais e apure possíveis crimes de calúnia, difamação e injúria, argumentando que o senador não poderia se amparar na imunidade parlamentar, pois as publicações não estariam diretamente relacionadas ao exercício do mandato.
Em manifestações nas redes sociais, Dandara Tonantzin afirmou que a democracia pressupõe liberdade de expressão, mas também exige responsabilidade e compromisso com a verdade no debate público.
O requerimento foi encaminhado ao diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Paralelamente, o Ministério da Justiça permanece sob comando interino após a saída de Ricardo Lewandowski, que alegou motivos pessoais para a demissão.
Diante do caos que domina o país, não há como duvidar de nada.
