Polícia encerra investigação do caso Orelha e revela choque: adolescente autor da agressão

A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou o inquérito que investigou a morte do cão comunitário Orelha e a tentativa de afogamento de outro cachorro, conhecido como Caramelo, ocorridas na Praia Brava, em Florianópolis.

Os investigadores concluíram que apenas um adolescente foi o responsável direto pelas agressões que resultaram na morte de Orelha, motivo pelo qual foi solicitada à Justiça a internação provisória do jovem.

De acordo com a investigação, o adolescente identificado como autor esteve fora do país durante parte do processo, o que levou a polícia a adotar medidas específicas para evitar risco de fuga e destruição de provas. O delegado Renan Balbino destacou que os depoimentos prestados pelo jovem apresentaram inconsistências relevantes e ausência de informações consideradas fundamentais para o esclarecimento dos fatos.

“Em diversos momentos, ele se contradisse e omitiu fatos importantes para a investigação”, afirmou o delegado.

A defesa do adolescente, por sua vez, questionou o resultado do inquérito. Em nota, os advogados sustentaram que as “informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas”.

Os laudos elaborados pela Polícia Científica indicaram que Orelha sofreu um forte impacto na região da cabeça, compatível com um chute ou com um golpe aplicado por objeto rígido, como madeira ou garrafa. A agressão ocorreu na madrugada do dia 4 de janeiro, e o animal não resistiu, falecendo no dia seguinte, apesar de ter recebido socorro de moradores da Praia Brava.

Orelha vivia na região há cerca de uma década e era conhecido pelo temperamento tranquilo e pela convivência próxima com moradores e visitantes. Na Praia Brava, três cães são reconhecidos como mascotes comunitários e recebem cuidados regulares da população local, o que aumentou a comoção após o caso.

Para chegar às conclusões, a polícia ouviu 24 testemunhas, avaliou o envolvimento de oito adolescentes suspeitos e analisou mais de mil horas de gravações de 14 câmeras de segurança. A apuração também contou com o uso de um software estrangeiro de geolocalização e com o cruzamento minucioso de depoimentos.

As imagens analisadas mostraram o adolescente saindo de um condomínio por volta das 5h25 e retornando cerca de 30 minutos depois, acompanhado de uma jovem. Em depoimento, ele declarou que não havia deixado o local, versão que foi refutada por registros de vídeo, relatos de testemunhas e outros elementos reunidos durante a investigação.

Durante o andamento do inquérito, roupas que teriam sido usadas no dia das agressões foram apreendidas. Em uma abordagem no aeroporto, os policiais notaram atitude suspeita de um familiar do adolescente, que tentou esconder um boné dentro da bolsa. Esse mesmo familiar afirmou que um moletom teria sido comprado durante uma viagem aos Estados Unidos, informação posteriormente confrontada com imagens já obtidas pela polícia.

A comparação das peças com os registros visuais permitiu identificar as roupas utilizadas no momento dos fatos. Além do adolescente apontado como agressor, três adultos foram indiciados por coação, em razão de comportamentos adotados ao longo das investigações.

No caso do cachorro Caramelo, a Polícia Civil concluiu que quatro adolescentes participaram da tentativa de afogamento do animal. Todos responderão por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos. Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), dados como nomes, idades e locais relacionados aos envolvidos permanecem sob sigilo absoluto.


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