Os eleitores foram às urnas neste domingo (18) e definirão o novo presidente em votação final marcada para 8 de fevereiro. António José Seguro, do Partido Socialista, e André Ventura, do Chega, avançaram ao segundo turno das eleições presidenciais portuguesas.
A participação eleitoral foi expressiva, com taxa de abstenção estimada entre 35 % e 40 %, representando o maior índice de comparecimento das últimas duas décadas em eleições presidenciais em Portugal. Em contraste, durante a pandemia de Covid‑19 em 2021, mais da metade dos portugueses não votou.
Os dois finalistas apresentam perfis distintos. Seguro adota uma comunicação pausada e professoral, enquanto Ventura caracteriza‑se por um estilo inflamado nos discursos.
Em Portugal, o presidente exerce a função de “poder moderador”, com autoridade para aprovar ou vetar legislações e, em situações de impasse político, dissolver o Parlamento – procedimento conhecido como “bomba atômica”. Tradicionalmente, figuras como Mário Soares, Jorge Sampaio, Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa assumiram a presidência já afastados da vida partidária ativa.
Ventura expressou à Rádio e Televisão Portuguesa sua intenção de utilizar a “magistratura de influência” do cargo presidencial para promover revisão constitucional, sobretudo em aspectos relacionados ao sistema penitenciário e à imigração.
Para vencer em 8 de fevereiro, o candidato do Chega precisará superar uma tendência histórica em Portugal, onde eleitores mais velhos, preocupados com as aposentadorias, podem hesitar em apoiar propostas de transformações radicais.
André Ventura nasceu em 1983 em Sintra, formou‑se em Direito e obteve doutorado na Irlanda. Antes da política, foi comentarista de futebol na televisão e vereador em Loures pelo Partido Social Democrata. Em 2019, fundou o Chega, que em cinco anos tornou‑se a segunda maior força no Parlamento português.
