Desde que assumiu a presidência interina, Delcy Rodríguez tem buscado equilibrar a diplomacia com os Estados Unidos, adotando uma postura pragmática em relação a Trump. Sua administração avança sob pressão da Casa Branca, tendo assinado acordos energéticos e concordado com a libertação de presos políticos.
Entretanto, no domingo, 25 de janeiro, a mandatária proferiu uma declaração contundente contra o governo de Trump: “Já basta das ordens de Washington”.
“Já basta das ordens de Washington”.
Rodríguez dirigiu‑se aos trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, afirmando:
“Já basta das ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana a resolver nossas divergências e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras”.
Os Estados Unidos declararam estar no comando da Venezuela após a incursão militar de 3 de janeiro, na qual o presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores foram capturados. Donald Trump chegou a publicar imagem em sua rede social apresentando‑se como presidente interino da Venezuela. Contudo, no início de janeiro Rodríguez já afirmava que nenhum “agente externo” governava o país depois da captura de Maduro e de sua esposa.
Segundo a ONG Foro Penal, mais de 100 presos políticos foram libertados no domingo, em meio a um processo que avança a passos de tartaruga.
Suas falas parecem direcionadas sobretudo ao público interno chavista:
“Custou caro a esta república ter que enfrentar as consequências do fascismo e do extremismo em nosso país”.
Rodríguez havia declarado que não tem “medo” de confrontar diplomaticamente os Estados Unidos, acrescentando em 15 de janeiro:
“Se um dia, como presidente interina, eu tiver que ir a Washington, irei de pé, caminhando, não rastejando”.
Por sua vez, Trump a qualificou como “formidável” e garantiu que “tudo está indo muito bem”. Segundo a Casa Branca, ele a convidou para uma visita a Washington, embora ainda não tenha sido marcada data.
Com as relações rompidas desde 2019, Washington e Caracas caminham agora para a retomada “gradual” de seus laços. Na quinta‑feira, os Estados Unidos nomearam um novo chefe de sua missão diplomática na Venezuela, onde consideram reabrir a embaixada.
Os Estados Unidos se declararam responsáveis pela Venezuela pós‑Maduro e pelo controle das vendas de petróleo do país.
