A CIA realizou um bombardeio com drones contra instalações portuárias na Venezuela que eram utilizadas pelo grupo criminoso Tren de Aragua. A operação aconteceu no início de dezembro e foi revelada ao público depois que o presidente Donald Trump a mencionou em entrevista à rádio WABC na última sexta‑feira. Trata‑se do primeiro ataque militar conhecido dos Estados Unidos em território venezuelano.
Autoridades de segurança confirmaram a ação sob condição de anonimato. O alvo foi uma estrutura portuária que serviria ao Tren de Aragua, organização classificada por Washington como terrorista e ligada ao tráfico internacional de entorpecentes.
Trump, em entrevista feita em sua residência na Flórida, afirmou: “Houve uma grande explosão na área do cais onde carregam os barcos com drogas. Eles carregam os barcos com drogas. Então atingimos todos os barcos, e agora atingimos a área. É a área de implementação, é onde eles implementam, e isso não existe mais.”
Segundo fontes consultadas pela imprensa americana, não havia pessoas no local durante o bombardeio. A operação representa um novo desdobramento na escalada de tensões entre os EUA e a Venezuela, após Trump autorizar, em outubro, operações secretas da CIA no país sul‑americano.
Representantes da Casa Branca e da agência de inteligência não comentaram oficialmente o caso. O governo de Nicolás Maduro também não se pronunciou diretamente sobre o ataque, embora o ministro do Interior, Diosdado Cabello, tenha denunciado o que chamou de meses de “loucura imperial”.
Cabello enumerou ações hostis dos EUA, incluindo “assédio, ameaças, ataques, perseguição, roubos, pirataria e assassinatos” contra a Venezuela. Essas declarações surgem em um contexto de crescente pressão americana sobre o regime de Maduro, com Trump sinalizando disposição para ampliar as medidas contra o país.
A CIA elaborou relatórios de inteligência sobre supostas instalações de processamento e distribuição de drogas na Venezuela e na Colômbia. A estratégia de Washington combina dois alvos prioritários da administração Trump: o grupo Tren de Aragua e o governo de Maduro.
Até então, a pressão dos EUA contra a Venezuela limitava‑se a operações em águas internacionais, com ataques a embarcações suspeitas de tráfico e apreensões de petroleiros sob regime de sanções. O ataque ao porto marca uma mudança na postura americana em relação à Venezuela sob a gestão Trump.
