O avanço das investigações sobre a relação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com um dos pivôs do escândalo de desvios de aposentadorias e das apurações sobre o Banco Master aproximou PT e Centrão em uma ofensiva para barrar a prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS. Em lados opostos na maior parte das disputas recentes, governistas e dirigentes de partidos do bloco passaram a atuar juntos contra o prolongamento das apurações feitas pelo colegiado, cujo prazo termina na próxima semana.
Sem ambiente político para convencer a cúpula do Legislativo, a CPMI recorreu ao Supremo Tribunal Federal na tentativa de garantir sobrevida às investigações.
De um lado, o Planalto tenta conter o desgaste provocado pelo episódio envolvendo Lulinha. De outro, partidos do Centrão buscam evitar que a comissão continue revelando conexões incômodas em pleno ano eleitoral.
O apoio à prorrogação é concentrado sobretudo em parlamentares do PL, do Novo e de parte da direita no Congresso. A leitura entre governistas é que a CPMI passou a gerar desgaste direto ao Palácio do Planalto após se aproximar do entorno do presidente Lula.
A decisão da CPMI de recorrer ao STF agravou ainda mais o cenário. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), ingressou com um mandado de segurança ao lado do relator Alfredo Gaspar (União-AL) e do deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), pedindo que o ministro André Mendonça determine a prorrogação.
No recurso, os parlamentares alegam “ato omissivo” da Mesa Diretora e de Alcolumbre, sob o argumento de que o requerimento protocolado em dezembro não foi sequer lido em plenário.
A iniciativa foi recebida com irritação pela cúpula do Congresso, que vê na judicialização uma tentativa de contornar a condução interna do Legislativo. O gesto ampliou o desgaste político em torno da CPMI.
