Ramagem reaparece, depoimenta a juíza de Moraes e desmonta acusação

Alexandre Ramagem prestou depoimento nesta quinta‑feira (5) ao Supremo Tribunal Federal (STF). A oitiva ocorreu no âmbito da retomada da ação penal que investiga supostos crimes praticados após a sua diplomação na Câmara dos Deputados: dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado nas manifestações de 8 de janeiro de 2023.

Enquanto ainda era deputado, parte da ação que o acusava de crimes cometidos após a diplomação foi suspensa pela Câmara, com base na imunidade parlamentar. Com a cassação do mandato, em dezembro de 2025, a suspensão perdeu eficácia. O ministro Alexandre de Moraes, então, determinou a retomada do processo no STF contra o ex‑deputado.

Ramagem encontra‑se nos Estados Unidos, onde se mudou em setembro de 2025, antes de ser julgado no STF pelas acusações de tentativa de golpe de Estado. Ele foi condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado.

No depoimento, realizado perante uma juíza auxiliar do gabinete de Moraes, Ramagem negou ter utilizado o programa First Mile de forma ilegal para espionar adversários e críticos do ex‑presidente Jair Bolsonaro. O First Mile é um sistema de monitoramento e rastreamento de celulares por geolocalização, empregado para identificar deslocamentos de pessoas a partir de dados de telefonia.

Ramagem contestou a acusação com base em fatos:

“Pela peça acusatória, a tal organização criminosa, que não tem como eu ter fazer parte dela, se iniciou em julho de 2021. Ora, eu encerrei o First Mile em maio de 2021. Não renovei, não contratei. Encerrei o contrato colocando o procedimento na Corregedoria e não contratei nenhum procedimento ou instrumento semelhante”.

Ele também afirmou que não teve acesso aos dados capturados pelo First Mile:

“Esse instrumento, eu não tinha acesso a ele, não tinha senha dele. Apenas um local dentro da ABIN, que eu estava auditando, possuía a senha. A Polícia Federal e o próprio Ministério Público, não sei se foi ardil, completa incompetência ou falsificação de provas, utilizaram registros da minha entrada na catraca da ABIN, dizendo nos autos que era o meu registro de acesso ao sistema. Facilmente constatado isso. Isso só demonstra que tudo foi armado contra mim.”

Ramagem ainda negou ter determinado o monitoramento de autoridades, seja pelo First Mile ou por qualquer outra ferramenta, em benefício de Bolsonaro:

“O presidente Bolsonaro, por uma questão de confiança e por me conhecer, me indicou ao diretor‑geral da ABIN. Ele nunca me pediu nada de First Mile, nunca me pediu nada.”


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