Alcolumbre, presidente do Senado (União‑AP), avisou Lula (PT) que vai votar contra a nomeação de Jorge Messias, advogado‑geral da União, ao STF. Mesmo assim, ele prometeu não travar a tramitação da indicação no Senado. É aí que o risco aparece.
A Constituição exige que, para entrar no STF, o candidato consiga, em voto secreto, o apoio de no mínimo 41 dos 81 senadores. O presidente pode indicar, mas a escolha só vale se o Senado aprovar.
Segundo quem acompanha Alcolumbre, ele sugeriu Rodrigo Pacheco (PSD‑MG), ex‑presidente do Senado, como a melhor opção para a vaga no STF. Os mesmos dizem que Pacheco conta com forte apoio entre os colegas.
Ao contrário do que aconteceu em 2021, quando a indicação do AGU de Jair Bolsonaro (PL) ficou quatro meses parada, Alcolumbre garantiu que não vai atrasar o caso de Messias. A ideia é levar a nomeação logo à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Quem está perto de Alcolumbre diz que, mesmo votando contra, ele não vai fazer campanha nem contra nem a favor de Messias. Os petistas, porém, desconfiam dessa postura neutra.
Líderes do Senado acreditam que, mesmo que a CCJ aprove, a falta de apoio de Alcolumbre tornará difícil para Messias conseguir os votos que precisa no plenário.
Para os senadores aliadados ao governo, o destino da nomeação está ligado à atitude de Pacheco. Em encontro neste mês, Lula teria dito que quer Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais, mas o senador parece pouco animado com a ideia.
Os petistas pensam que, para Messias ser aprovado, é preciso convencer Pacheco a apoiar a escolha de Lula, aceitar a candidatura em Minas e, se perder, esperar outra vaga no STF.
Quem está perto da liderança do Senado diz que muitos veem a vaga como fora do comum. “É um presente inesperado para o Lula”, comentou um senador. Outros defendem que o presidente divida esse “bônus” da escolha com o Legislativo.
A vaga apareceu porque o ex‑ministro Luís Roberto Barroso saiu do STF antes de completar 75 anos, a idade obrigatória de aposentadoria. Segundo a Constituição, ele poderia ficar na Corte até 2033.
Apoios de Pacheco dizem que o senador de Minas merece a vaga no STF, já que, ao enfrentar Bolsonaro, perderá proteção institucional. Eles apontam que Pacheco tem eleição difícil em Minas, enquanto Lula parece bem encaminhado para a reeleição e o ministro Alexandre de Moraes tem vaga garantida até os 75 anos.
